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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

 Eu detesto gente que...

... parece ter vindo ao mundo somente para "causar".

Eis uma das grandes certezas da Internet: cedo ou tarde, toda lista de discussão, comunidade do Orkut ou blog acaba topando com pelo menos uma dessas pragas que, em vez de gastarem seu tempo disponível (aparentemente, bastante vasto) em algo divertido, criativo, produtivo ou benéfico para outrém, preferem atazanar quem o está fazendo.

Seus comentários parecem todos tediosamente saídos da mesma forma: invariavelmente, (ab)usam de linguagem
sarcástica, agressiva ou, mesmo, de baixo calão e quase nunca trazem algum conteúdo realmente relevante para o andamento da discussão em pauta. Não importa, pois o objetivo é, meramente, a polêmica pela polêmica. Tanto que, com bastante frequência, eles simplesmente dão a primeira cutucada e se retiram, covardemente, para ver o "circo pegar fogo" à distância (o que não lhes seria possível na "vida real").

"Falem mal, mas falem de mim!" certamente é seu mote, até quando se escondem por trás da armadura do anonimato.


Que criaturas mais vazias e dignas de pena! Mesmo porque, muitas vezes, não carecem de inteliência e talentos
apenas os subutilizam.

Infelizmente, para cada iniciativa realmente criativa que brota do solo fértil da Internet, nasce um sem número de ervas daninhas. A globalização e a inclusão digital, embora tragam consigo o benefício da democracia, também abrem espaço para a proliferação de comportamentos deviantes, que vão da perversidade à perversão.

No cômputo final, quem dera os
"causadores" fossem o único ônus a ser pago pela liberdade digital... Porque a solução, no caso deles, é tão somente fechar os olhos algo totalmente impraticável em outras circunstâncias.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

 Eu detesto gente que...

... faz campeonato de desgraça.

Não há quem não conheça alguma criatura assim:
  • Se você cai de cama devido a uma gripe, ela lhe conta sobre a ocasião em que quase morreu de gastroenterite e ficou internada durante 15 dias, sendo alimentada apenas no soro.
  • Você comenta que está com dor-de-cotovelo por uma desilusão amorosa, e ela desagua uma lista interminável de torturas sofridas durante seu divórcio litigioso.
  • Alguma situação no ambiente de trabalho incomoda? Não im-por-ta: ela acabou de ser demitida. E ainda lhe joga na cara que você não tem o direito de reclamar, porque a grande maioria da população brasileira em idade produtiva vive apenas da economia informal. Sem contar os pobrezinhos lá na África que ainda precisam lidar com a subnutrição, as guerras e a pandemia de AIDS!
Ave Maria!

Há gente que, simplesmente, não traz no DNA o gene do simancol. É uma gente totalmente incapaz de parar de cutucar o próprio umbigo, botar a cabeça zarolha para funcionar e perceber que, quando alguém está sofrendo, relatar um sofrimento ainda maior simplesmente não resolve. É até um tiro que pode sair pela culatra, porque exalar tanto baixo astral, certamente, deixa qualquer um ainda mais deprimido!

O que leva um ser humano a desenvolver essa mania de competir pelo prêmio de maior desventura? Necessidade de controle? Baixa auto-estima? Alguma noção distorcida de solidariedade? Ou seria mera vontade de espezinhar?

É claro que ninguém – pelo menos, ninguém privado de tendências sociopáticas – quer que as criancinhas da África passem fome. Mas, em termos de microcosmo, essa é uma questão (os deuses que me perdoem, mas é verdade) totalmente abstrata.

Não se trata de egocentrismo ou maldade, mas de um instinto de auto-preservação perfeitamente natural à espécie humana, anterior mesmo à época em que resolvermos ficar pelados e nos equilibrar sobre os dois pés. Lá na meiuca de nossa massa cinzenta, afinal, ainda existe um cérebro reptiliano que, de vez em quando, bota a cabecinha de fora e faz de tudo para estabelecer-se como o Alfa da "parada".

O cerne da questão é que, quando há uma dificuldade pessoal com consequências imediatas e tangíveis, o resto das agruras do mundo se torna extremamente irrelevante: uma simples unha encravada, para quem está com o dedão latejando de dor, é muito mais importante do que as guerras no Oriente Médio – ainda que o seja apenas momentaneamente.

Mesmo porque a dor é, em sua essência, uma atividade das mais solitárias.

O que se quer, nessas horas, não é sentir-se diminuído e humilhado pela maior intensidade da infelicidade alheia, mas receber alento. É ouvir coisas que acalentem, tranquilizem e ajudem o coração a encontrar forças e equilíbrio para solucionar o problema, lavar a alma e, somente então, plenamente recuperado, estender a mão e assumir a parcela cabida no cuidado do próximo e de suas aflições.

Felizmente, eu tenho amigos com boa genética...