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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

 Desabafo

© Tord Boontje para Artecnica
 
Se a figura do "demônio" tem alguma sombra de verdade além da metafórica, tenho certeza de que ela se manifesta não em criaturinhas místicas com chifres, rabos e tridentes, mas em seres humanos de carne e osso.

Certas pessoas são verdadeiras representantes do Mal na Terra e parecem ter vindo ao mundo apenas para vampirizar, espezinhar e levar à desgraça qualquer pobre coitado que tenha o infortúnio de atravessar seu caminho. É gente vazia de identidade, que suga sem retribuir, que desconhece o significado da caridade e da tolerância, que julga outrém sem atentar para o próprio telhado de vidro e que não descansa enquanto não consegue fazer em pedacinhos microscópicos tudo o que haja de bom, digno e decente à sua volta.

Infelizmente, tive o desprazer de conviver com uma dessas pessoas, que se fazia de amiga, durante um bom tempo e, por pura inocência e boa vontade, demorei a perceber (ou a admitir) sua verdadeira face. Me livrei (não sem algumas feridas que deixaram cicatrizes), mas o Mal tem longos tentáculos e os efeitos nefastos desse arremedo de ser "vivo" afetam-me até hoje.

Essa pessoa desprezível causou-me perdas nos níveis afetivo e social, além de ter prejudicado pessoas que amo, mas o pior, creio, foi ter conseguido trazer à tona aquilo que tenho de mais torpe em mim mesma – porque alcançou sucesso em fazer-me querer mal a alguém e desejar a sua infelicidade.

Confesso que, de quando em vez, sofro de "espasmos" de crueldade durante os quais imagino como seria bom não ser gente de bem, e permitir-me retribuir com toda a força e conhecimento de causa de que sou capaz. Nesses momentos fulgidios, pergunto-me qual seria o gosto da vingança e imagino a supresa da criatura ao perceber que seu "poder" não é infinito e que sua máscara, construída de cera e plumas tal qual as asas de Ícaro, também derrete sob o calor do Sol.

Mas, não... Nunca me rebaixarei à tanto. A minha dignidade, ninguém jamais tomará.

Então percebo que a vitória, no final das contas, pertence a mim. Porque as cicatrizes atenuarão, minha vida seguirá em frente e o mal que me foi causado, mais breve do que tardiamente, tornar-se-há mera lembrança daquela "fase" ruim que, apesar das lágrimas, tornou-me um indivíduo melhor.

E a grande ironia, talvez prova de uma "justiça maior" (ou, quiçá, da fúria das eríneas), é que meu algoz, desgraçado que é, está fadado a viver na miserável companhia de si mesmo pelo resto de seus dias.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

 Vamos assinar? Os gatinhos agradecem!


Os gatinhos do Campo de Santana estão sofrendo devido ao descaso. Sua assinatura pode mudar o destino desses animais e ajudar a proteger um dos últimos refúgios para os felinos abandonados do Rio de Janeiro.
 
Vamos colaborar?


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

 Merry Christmas!



Eu já estava me contentando em deixar as Festas passarem em branco aqui no Fuça quando descobri, no Neatorama (site que é sempre uma caixinha de surpresas para quem é meio nerd e aprecia fatos curiosos e bichos), esse delicioso vídeo da Best Friends Animal Society. A entidade é norte-americana, mas a mensagem é universal: neste Natal, porque não fazer bem a um peludinho?

Quem não pode adotar sempre tem, como alternativa, ajudar – o pessoal da Adote um Gatinho, por exemplo, aceita doações.

FELIZ NATAL!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 Eppur si muove*


Vida é movimento. Do microcosmo atômico ao eterno espiralar das galáxias, onde quer que haja uma centelha da Criação, há algo que se move e continua perpetuamente em mutação.

Peguei-me questionando, então, por que há tanta gente que se recusa a sair do lugar. Gente que teimosamente insiste em continuar sendo como sempre foi, sem nunca admitir que viver, realmente VIVER (em caixa alta e negrito!), é assumir que a mudança não somente é necessária, como inevitável.

Há muitas dessas pessoas que "não chovem nem molham" circulando por aí, escondidas na multidão.

Algumas seguem tão fechadas em seus mundinhos que parecem quase invisíveis; é gente digna de pena, cuja passagem pelo Planeta terá poucas consequências porque, ao mesmo tempo em que não fazem bem a ninguém (nem a si mesmas), também não fazem mal. O típico "Zé Ninguém" é, em sua essência, alguém que não muda nunca, por falta de vontade e esforço ou porque, na verdade, não tem mesmo nenhum conteúdo a ser usado como ponto de partida.

Mas o perigo existe. Ele mora nas pessoas que vivem tão ensimesmadas nas próprias "verdades" e "certezas" que, recusando-se a admitir sua própria falibilidade e a necessidade de mudar para melhorar, acabam invadindo o espaço de quem as cerca, negando-lhes o direito à divergência de opinião e ao livre arbítrio.

É gente que "acha" muito, mas pouco sabe. Que tece julgamentos com facilidade, a partir de informações falsas e/ou incompletas. Que se julga dona de todas as respostas, mesmo de questões sobre as quais pouco, ou nenhum, conhecimento tem. Que, na usura de manter-se como é, acaba aprisionada em um universo mitomaníaco auto-infligido ao qual, acreditam, a realidade deve se "moldar" de acordo com seu conforto e conveniência – mesmo às custas do prejuízo de outrém.

Aqueles que são assim podem, obviamente, causar muito estrago à vida alheia. Felizmente, em sua maioria, eventualmente acabam alienando até quem lhes devota carinho genuíno, e acabam na solidão. Pensando bem, também são criaturas merecedoras de compaixão porque, no fundo, têm tão pouco conteúdo quanto os "Zés Ninguém": apenas não admitem o próprio vazio interior e fazem "pose" para disfarçar quão inseguras são.  

Quem sabe viver sempre dá boas vindas à mudança e, quando ela não vem, parte em sua busca. Viver é uma aventura cheia de perigos, mas nenhuma montanha russa, afinal, é divertida quando parada no chão.

Mesmo as mudanças que nos colocam em situações difíceis podem trazer dentro de si as sementes do aprendizado – e, ao aprendermos, é inevitável mudarmos para melhor. O "truque" está em ter a sutileza de perceber onde estão as pequenas lições que a vida nos dá e abraçá-las de peito aberto, sem medo das consequências.


* "Eppur si muove" ("no entanto ela se move") - frase supostamente pronunciada por Galileu Galillei após renegar a visão heliocêntrica do mundo perante o tribunal da Inquisição, em 1663.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

 Mais sobre a gripe suína

Com o avanço nas pesquisas sobre a atual pandemia, cabe fazer um update do meu post sobre a gripe suína em ferrets.

Dois estudos recentes, realizados nos EUA e na Holanda, demonstraram que o virus A(H1N1) não somente contamina ferrets como apresenta um potencial patogênico mais severo do que a gripe sazonal comum.

Enquanto a ação da gripe comum, de modo geral, restringe-se à cavidade nasal, o A(H1N1) replica-se extensivamente por todo o trato respiratório superior – incluindo traquéia, brônquios e bronquíolos – e, também, pelo sistema digestivo, motivo pelo qual causa sintomas incomuns como náusea, vômitos e perda de peso acelerada. E, embora os dados sobre a transmissibilidade entre ferrets ainda sejam inconclusivos, ela parece ocorrer tanto pelo ar como por contato.

Mais do que nunca, é importante reforçar os cuidados no trato dos peludinhos!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

 Apenas uma lembrança!

quarta-feira, 25 de março de 2009

 Resolveu ter bicho? Então aguenta!...

Fonte: Stockvault

Animal de estimação é como criança pequena – apenas veste casaco de pele. Trazer um bicho para dentro de casa, do mesmo modo que ter um filho, é decisão que não deve ser tomada por impulso, impensadamente ou sem planejamento. Porque, por trás da fofura, do afeto incondicional e do manancial de benefícios que podem nos oferecer, os pets também têm seus "contras" – e não são poucos.

É evidente que os pet lovers costumam "passar batido" por cima dos contratempos, mas quem nunca conviveu com animais pode acabar tendo algumas surpresas, no mínimo, inesperadas ao decidir fazer parte do maravilhoso mundo natural. Até porque certos protetores (no afã de arregimentar mais um dono) e criadores/lojas (no afã de... ah, deixa pra lá) nunca transmitem algumas informações essenciais.

Infelizmente, muitos casos de abandono e maus tratos acontecem justamente quando os donos descobrem que seus bichos não são bem o que haviam fantasiado.

Eis algumas coisas um tanto incômodas – mas plenamente suportáveis, quando há amor e boa vontade – que inevitavelmente se tornam parte do quotidiano de quem tem bicho:
  • Arranhões e outros ferimentos. É inevitável: quem é dono sempre traz no corpo as marcas de seu status. Cães, ferrets e – principalmente – gatos arranham; quase sempre, sem querer. Marcas de mordida, hematomas e outros machucados podem até não ser tão frequentes, mas também acontecem. Quem quer ter uma pele permanentemente lisinha e imaculada de Branca de Neve deve manter uma distância de segurança de, pelo menos, 5 metros de qualquer animal maior do que uma formiga (as pretinhas, porque aquelas vermelhas bundudas picam e deixam marca...)!
  • Pelos, muitos pelos. Na casa, nas roupas e até em si mesmo. As roupas pretas nunca mais são as mesmas, depois de um pet! E não adianta acreditar no mito da escovação diária: escovar é mesmo higiênico e saudável – no caso dos gatos e ferrets, ajuda a evitar bezoares –, mas a verdade é que não há como impedir o inexorável avanço dos pelos pelo ambiente.
  • Cheiro. Eis algo que nem mesmo muitos banhos e o uso de perfumes e desodorantes pode mudar: gente tem cheiro de gente e bicho tem cheiro de bicho. O odor humano característico (aquele que não é pura "nhaca", obviamente) nos passa despercebido pelo hábito, já que constantemente sentimos nosso próprio cheiro e o das pessoas que nos cercam. Mas o "cheiro de bicho", sendo diferente, parece entranhar no ambiente. O dono eventualmente acaba se acostumando, mas sempre é bom ter um desorizador de ambiente e um incensozinho à mão, para o caso de uma visita.
  • Xixi, cocô, golfada, vômito. Surpresa! Bicho fofinho também faz porcaria, como os bebês. Algumas vezes, em cima da cama. Outras, em cima do dono.
  • Ser acordado de madrugada. O metabolismo dos animais domésticos funciona em um ritmo bastante diferente do humano – o natural, para eles, é dormir, comer e excretar em ciclos mais curtos do que os nossos. Pets não seguem relógio e conceitos como "dia", "noite", "madrugada" e "descanso merecido após um dia cansativo na labuta" são de uma abstração que lhes escapa totalmente. Após 15.000 anos de domesticação os cães, mui espertamente, até perceberam que fazer uma (eventual) concessão aos horários do dono pode ser algo vantajoso, mas o gato típico não quer nem saber: se, às 3:00 da manhã, bate "aquela" vontade de ganhar cafuné... o dono que se vire.
  • Sustos! Mais uma semelhança entre bichos e crianças: ambos parecem ter uma incrível propensão a nos pregar sustos. Quem quer cuidar direito de um pet deve ter disposição, paciência, paz de espírito, energia e bolso para eventuais visitas à emergência veterinária – geralmente, de madrugada ou durante os feriados!...
  • Mudança de hábitos e decoração. Enfeites e peças delicadas de cristal no aparador? Melhor guardar. Potes de vidro na cozinha? Os de plástico não viram cacos!... Chaves, celular, revistas, prato de comida, a cervejinha de domingo etc sobre a mesa da sala, sem supervisão? Esqueça. Vasos de plantas? Bem disse o corvo: "Nunca mais!". Seja coerente com a decisão que tomou: o bicho não bateu na sua porta, pedindo para ser seu roommate – logo, quem tem a obrigação de se adaptar é você. A vantagem: você acabará aprendendo a ser mais organizado e asseado. O que é bastante recomendável, no caso de alguns indivíduos do sexo masculino.
  • Destruição de propriedade. Termo auto-explicativo. Nenhum tapete escapa a um gato. Nenhum aparelho de celular a um cão. O resto, o ferret esconde.
  • Barulho. Isso vale apenas para os cães: eles latem! Mas os culpados somos nós: os lobos até latem, dependendo das circunstâncias, mas o latido canino foi estimulado pelo contato com os humanos e é característica desejável em exemplares de algumas raças desenvolvidas para caça e guarda. Latido em excesso, evidentemente, é patologia que tem tratamento mas, mesmo com o melhor treinamento, a grande maioria dos cães continuará latindo de quando em vez. O jeito é se acostumar – afinal, há gente cujo matraquear apoquenta muito mais.
  • Mentiras. Claro que animais não mentem (uma inegável vantagem sobre os seres humanos). Mas os vendedores das lojas de produtos para animais, sim. Ser dono de bicho demanda constante exercício da "arte" de filtrar a "conversa de cerca-lourenço" das pet shops. Porque cachorro não precisa de perfume, esmalte ou de tintura para o pelo. E os protetores de unhas para gatos só funcionam com felinos catatônicos ou em coma. O Barão de Münchhausen seria um excelente vendedor de produtos para animais!
Nada disso é assustador? Então você, decididamente, traz o amor aos bichos nos genes e, para provar que é mesmo gente boa, só lhe falta – se é que ainda não o fez – adotar um animal abandonado.

Ame seu animalzinho e desfrute o amor infinito que ele terá por você. São Francisco os abençoará.

E nunca deixe de seguir os mandamentos da posse responsável!

terça-feira, 24 de março de 2009

 Não custa lembrar!


No sábado, dia 28 de março, de 20h30 às 21:30...

... vamos dar um descanso aos nossos blogs.

O planeta agradece.




domingo, 8 de março de 2009

 Algumas migalhas sobre a excomunhão...

Perdoem-me o impulso revoltoso mas... Esse caso da excomunhão dos envolvidos no aborto realizado na menina de 9 anos que engravidou de gêmeos após ser violentada pelo padrasto, em Olinda (PE), está conseguindo me tirar do sério.

Vou ser bem direta: QUEM o arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho*, acha que é? A lista de absurdos proferidos por esse indivíduo é tamanha, que faz-me tremer na base. E, enquanto dão atenção a essa besta e seus colaboradores, uma criança, fisicamente agredida – em mais de um sentido! – e brutalmente arrancada de sua inocência, é afundada em um mar de merda teológica, intolerância e falta de bom-senso. Que adulto essa menina terá chance de se tornar, diante de tais exemplos? Que traumas esse triste período há de lhe causar?

* O nome está em negrito para que todos o incluam em seus vodus, antes de dormir.

O que esses "senhores" da Igreja estão fazendo não somente é inculto e ultrapassado, como totalmente cruel.

Vergonha de ser brasileira, nessas horas!... Aliás, vergonha de ser gente, independentemente da nacionalidade!

Se bem que, dessa vez, nosso Presidente fez bonito:

"Como cristão e católico, lamento profundamente que um bispo católico tenha comportamento conservador como este. Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta que o bispo."

Minha sugestão para os poderosos da Igreja Católica: em vez de perder tempo espalhando tanto fel, estudem os ensinamentos de Cristo! Com algum esforço, pode ser que seus cérebros de ervilha assimilem um pouco da tolerância de que todos os Seus atos foram imbuídos...

Pensando bem: se esse povinho retrógrado ainda não conseguiu entender o que Cristo quis dizer, mesmo depois de 2.000 anos, talvez isso não aconteça jamais. Melhor nem tentar, pois podem interpretar tudo ainda mais errado e a emenda sairá pior do que o soneto.

Vamos torcer para que as profecias de São Malaquias se concretizem e Bento XVI, esse inquisidor insano e megalomaníaco, seja mesmo o penúltimo papa. Só mesmo o fim dos tempos pode resolver esse momento de total surrealismo que estamos vivenciando!

Em tempo: peço desculpas se meu desabafo parecer ofensivo aos católicos praticantes – não é minha intenção. Minha natureza "ecumênica" imbuiu-me da capacidade de compreender e apoiar todas as crenças e práticas que possam contribuir para a felicidade e o bem do próximo. Mas é impossível não sentir uma pontada de indignação diante de tanta arbitrariedade!

Deixo vocês com o cometário de Arnaldo Jabor, em seu quadro no Jornal da Globo de 04/03/2009. Nunca fui muito fã de Jabor – sua arrogância intelectual me inspira uma certa antipatia – mas, vez ou outra, ele consegue me derrubar da cadeira com opiniões que surpreendem pela coerência e, principalmente, pela nobreza de caráter (coisa de que alguns envolvidos nesse episódio muito carecem). Minhas reverências!





"Lá do fundo da Idade Média, esse arcebispo declarou: "A lei de Deus está acima de qualquer lei humana". Mas quem fez as leis de Deus senão homens, como bispos e papas? Foi uma lei de Deus quando queimaram mulheres vivas como a santa Joana D’Arc? Esse pensamento dogmático, inquisitorial, só afasta a Igreja Católica do mundo moderno.

Nós tivemos papas progressistas e bons, como João XXIII e João Paulo II, que era conservador, mas amava os desvalidos. Logo agora, que a história está tão cruel, agora que os homens precisam de uma religião protetora, agora que precisávamos da doçura da Igreja, temos os olhos frios de Bento XVI. Daí o sucesso de exploradores dos pobres como tantos bancos de dízimos, os supermercados da fé. A Igreja é contra anticoncepcionais, é contra o homossexualismo, é desatenta para tantos casos de pedofilia que surgiram entre padres, assim como foi vacilante no caso daquele bispo que disse outro dia que não houve holocausto de judeus.

Os excomungados de Olinda não devem ter medo. Deus está vendo e está com eles. Certamente não está com esse inquisidor, o arcebispo José Cardoso Sobrinho."

terça-feira, 18 de novembro de 2008

 Sanha assassina

Os politicamente corretos que me perdoem, mas há certas ocasiões em que eu a-do-ra-ria ser Zeus, somente para ter o poder de lançar um raio divino direto no cocoruto de certas pessoas, livrando o Mundo da infecção que elas representam.

Precisei levar minha cachorrinha ao veterinário. Sala de espera de clínica veterinária é um ambiente totalmente imprevisível pois, como não há hora marcada, tanto pode estar vazia (paraíso dos paraísos!) quanto vazando bichos pelo ladrão. Hoje, somente porque eu tinha pressa (Murphy nunca falha!), havia um verdadeiro zoológico esperando para ser atendido antes da minha pequena.

Um dos pacientes era uma calopsita. Ave sentada quietinha no fundo da gaiola, em vez de empoleirada, já é um mau sinal por si só (como se estar presa já não fosse o bastante)
essa, enquanto solta dentro de casa, havia voado para dentro de uma panela de água fervente, literalmente cozinhando a musculatura e ligamentos das patas. As garrinhas da pequena se encontravam rígidas, em posição visivelmente anti-natural, e ela ofegava de (suponho) dor.

A dona, enquanto preenchia o cheque para pagar a consulta, nos contou o fato com a maior tranquilidade, dizendo estar "sofrendo muito" pelo ocorrido.

E eu, criatura pouco compreensiva e solidária que sou (acho
até que vou pro inferno por conta disso), só fui capaz de pensar: "Tá sofrendo por quê, sua besta? Por sentimento de culpa? Devia era ter-se preocupado em não deixar a pobrezinha solta num recinto em que também havia uma panela de água quente, ainda por cima destampada!"

Raio nela!

Um outro "serumano" postou um anúncio no Mercado Livre (detalhe: é contra as regras do site) vendendo uma ferret de 5 anos, claramente doente. Repetindo pra quem não "ouviu" direito: CIN-CO anos! Praticamente uma velhota que estaria prestes a dobrar o Cabo da Boa-Esperança mesmo se fosse saudável!

Uma legião de amigos do fórum I love My Ferret já se cotizou para resgatar a pequena e oferecer-lhe um final de vida mais digno do que seria possível junto a esse energúmeno capaz de abandonar um animal idoso e doente, mas isso não minimiza em nada a crueldade cometida. Fosse este um mundo justo, o sujeito seria pendurado de cabeça pra baixo, pelos dedões e outras partes mais sensíveis, e sofreria a tortura chinesa das mil agulhas (ou coisa tão dolorida e demorada quanto).

Raio nele!

DUAS histórias de desleixo e/ou crueldade gratuitos contra animais, num período de menos de 24 horas. Como essas, outras tantas ocorrem a cada minuto em nosso País, cometidas por criminosos que escapam impunes por falta de legislação e fiscalização.

O que podemos fazer? Como tentar abarcar o mundo com os braços é coisa demais, podemos, simplesmente, cuidar muito bem dos nossos bichos e espalhar o exemplo para quem nos cerca. O conceito de Posse Responsável é recente e, por isso mesmo, merece apoio e divulgação. Seus 10 mandamentos são:

  1. Antes de adquirir um animal, considere que seu tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados.
  2. Adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.
  3. Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico.
  4. Mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo.
  5. Cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove-o e exercite-o regularmente.
  6. Zele pela saúde psicológica do animal. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele.
  7. Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.
  8. Recolha e jogue os dejetos (cocô) em local apropriado.
  9. Identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses ou similar, informando-se sobre a legislação do local. Também é recomendável uma identificação permanente (microchip ou tatuagem).
  10. Evite as crias indesejadas de cães e gatos. Castre os machos e fêmeas. A castração é a unica medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.
Para saber mais: http://www.arcabrasil.org.br/acoes/posse/index.htm