"A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve."
terça-feira, 23 de junho de 2009
Frase do dia
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Le Chat
Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
Retiens les griffes de ta patte,
Et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
Mêlés de métal et d'agate.
Lorsque mes doigts caressent à loisir
Ta tête et ton dos élastique,
Et que ma main s'enivre du plaisir
De palper ton corps électrique,
Je vois ma femme en esprit. Son regard,
Comme le tien, aimable bête
Profond et froid, coupe et fend comme un dard,
Et, des pieds jusques à la tête,
Un air subtil, un dangereux parfum
Nagent autour de son corps brun.
Fonte: Fleursdumal.org
O gato
(versão de Ivan Junqueira)
Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço; / Guarda essas garras devagar, / E nos teus belos olhos de ágata e aço / Deixa-me aos poucos mergulhar. / Quando meus dedos cobrem de carícias / Tua cabeça e o dócil torso, / E minha mão se embriaga nas delícias / De afagar-te o elétrico dorso, / Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo / Como o teu, amável felino, Qual dardo dilacera e fere fundo, / E, dos pés à cabeça, um fino / Ar sutil, um perfume que envenena / Envolvem-lhe a carne morena.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
30 Regras para escrever bem
Recebi esse curioso texto por email e achei por bem registrá-lo no Fuça de Ferret, mesmo sabendo que já foi disponibilizado em muitos outros sites e blogs.
Trata-se, claro, de mais um dos inúmeros textos apócrifos que circulam pela internet: teria sido escrito por um "Professor João Pedro" da UNICAMP – mas a falta do sobrenome na assinatura suscita uma dúvida razoável. Seja lá quem for, o autor tem algum mérito: se não pela tentativa de ensino da Língua Portuguesa*, pelo menos pelo humor culto.
* Eu mesma (vejam só!) descobri que vivo desrespeitando pelo menos uma das dicas (porque adoro usar parêntesis)!
01. A voz passiva deve ser evitada.
02. Anule aliterações altamente abusivas.
03. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
04. Conforme recomenda a A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.
05. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
06. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev. etc.
07. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
08. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
09. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra ficará uma palavra repetitiva. A repetição da palavra fará com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
10. Evite frases exageradamente longas, pois elas dificultam a compreensão das idéias nelas contidas, por apresentarem mais de um conceito central que nem sempre têm significado acessível, e o pobre leitor vê-se forçado a separá-las nos seus diversos componentes de forma a entendê-las, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
11. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
12. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou?... Então, valeu!
13. Evite mesóclises. Repita comigo: “Mesóclises: evitá-las-ei!”
14. O exagero é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
15. Frases incompletas podem causar
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias.”
18. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto ficará horrível!!!!!
19. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
20. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
21. Não seja redundante, pois não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é: basta mencionar cada argumento uma só vez ou, em outras palavras, não repetir a mesma idéia várias vezes.
22. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade; com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito e vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza de que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
23. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
24. Outra barbaridade que tu deves evitar, tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras!... Nada de mandar "esse trem"... "vixi"... entendeu, bichinho?
25. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
26. Quem precisa de perguntas retóricas?
27. Seja mais ou menos específico.
28. Seja incisivo e coerente, ou não.
29. Utilize a pontuação corretamente especialmente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, senão ninguém irá aguentar, já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.
e acertos na pontuação do texto. Tirei até dois tremas! Agora me digam: com o tanto que
já temos a absorver, havia mesmo necessidade de mais uma Reforma Ortográfica?
Nota: Claro que os grandes escritores podem quebrar todas as regras.
Mas é por isso mesmo que eles são GRANDES escritores!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Mais de Neil Gaiman!
O filme tem cartazes para cada letra do alfabeto (fofo!).O "K", obviamente, foi escolhido por conta do gato.
Coraline , o livro, deveria ser infantil – mas seu humor sombrio atrai adultos.
Coraline, o filme, é mais uma adição à minha lista de espera...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sincronicidade 1
DESIRE: You might say that. ROSE: Horrible, isn't it? DESIRE: In what way? ROSE: It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens your heart and it means someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses. You build up this whole armor, for years, so nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life... You give them a piece of you. They don't ask for it. They do something dumb one day like kiss you, or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so a simple phrase like "Maybe we should just be friends" or "How very perceptive" turns into a glass splinter working its way to your heart. DESIRE: How picturesque. ROSE: It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. Nothing should be able to do that. Especially not love. I hate love.ROSE: Have you ever been in love?
Neil Gaiman, sempre pertinente.
Extraído do arco The Kindly Ones da série de quadrinhos Sandman (DC Comics, 1996)
Tradução livre:
ROSE: Você já se apaixonou?
DESEJO: Posso dizer que sim.
ROSE: Horrível, não é?
DESEJO: De que forma?
ROSE: Você fica tão vulnerável. Abre seu peito e seu coração, criando espaço para que alguém entre e bagunce tudo. Você constrói todas essas defesas. Passa anos erguendo uma blindagem para que nada possa machucá-la e, então, uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida, aparece na sua estúpida vida... Você lhe dá um pedaço de si mesma, embora ele não o tenha pedido; apenas fez algo bobo, um dia, como beijá-la, ou sorrir para você, e desde então sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele invade. Ele a devora e a abandona chorando na escuridão, fazendo com que uma frase simples como "Talvez nós devamos ser apenas amigos" ou "Que perspicaz" se transforme em um caco de vidro abrindo caminho até o seu coração.
DESEJO: Que pitoresco.
ROSE: Isso machuca. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É um machucado na alma, no corpo, uma dor do tipo que rasga você e a despedaça. Nada deveria poder fazer isso. Especialmente não o amor. Eu odeio o amor.
About Terry Pratchett, Alzheimer's and why the world is flat

A notícia me bateu como uma bomba, há alguns meses: Terry Pratchett, prolífico criador da série Discworld, sofre do Mal de Alzheimer. A doença foi detectada precocemente e, aparentemente, é de um tipo raro que demora a demonstrar seus efeitos deletérios, mas a verdade é inexorável: a literatura mundial, em breve, perderá um de seus mais brilhantes cérebros.
Pratchett, laureado com diversos prêmios literários e detentor de quatro doutorados, é um dos mais relevantes autores satíricos/infanto-juvenis contemporâneos e líder de vendas na Grã-Bretanha, permanecendo há quase uma década no top ten do jornal Sunday Times. Seus livros já tiveram tradução para 33 línguas, ultrapassaram 45 milhões de cópias vendidas mundialmente e foram transformados em merchandise (incluindo brinquedos, jóias, produtos de vestuário e videogames) e especiais para televisão (o mais recente é o filme The Color of Magic, baseado no primeiro volume da série Discworld).
No Brasil, Pratchett é publicado pela Conrad Editora, que procura fazer um respeitoso trabalho de tradução e edição. Infelizmente, nossas livrarias costumam esconder os livros na seção infanto-juvenil, o que não lhes dá a melhor exposição e talvez explique o fato do autor ainda não ter adquirido a popularidade merecida, por essas bandas.
Pratchett reagiu à notícia de sua doença de forma estóica e com o mesmo bom humor que permeia seus escritos. Desde então, se tornou Patrono do The Alzheimer’s Research Trust e vem trabalhando ativamente em campanhas de conscientização e angariação de fundos para pesquisa (tendo, ele mesmo, doado uma quantia considerável). E, para júbilo de seus fãs, recusou-se a parar de produzir: seu último livro, Nation (um romance infanto-juvenil), já é campeão de vendas na Grã-Bretanha, onde teve mais de 20 mil exemplares comercializados em apenas uma semana.
O ano de 2008 marcou o aniversário de 25 anos de Discworld, a mais célebre cria de Pratchett e uma das mais longas séries de fantasia de todos os tempos (totalizando, até o momento, 36 livros). É um mundo quase como o nosso, exceto por alguns "detalhes": é chato como uma pizza e sustenta-se nas costas de quatro elefantes que, por sua vez, se apóiam nas costas de uma tartaruga gigante*, a Grande A'Tuin, que segue vagando pelo espaço numa inexorável viagem até... bem, ninguém sabe exatamente, mas os "cientistas" do Discworld cogitam que A'Tuin provavelmente procura um parceiro para reprodução (e encontrá-lo, obviamente, significará o Fim do Mundo).
* Em referência explícita à mitologia hinduísta.
O universo de Discworld é regido pela magia e habitado por magos, bruxas, heróis e outros personagens fantásticos arquetípicos, mas não como os tantos outros universos literários de mesma inspiração – porque as histórias que lá se passam são repletas de humor (geralmente, muito negro) e seus protagonistas nem sempre são como deviam, agem como esperado ou atingem os resultados usuais. No Discworld, os magos são aparvalhados, um grande herói pode se esconder na pele de um velhinho totalmente gagá e a criatura mais poderosa de todas ser um baú mágico inteligente, dotado de perninhas e totalmente indestrutível. E "O" Morte (porque, no Discworld, Morte é do gênero masculino) nem sempre é muito assustador – já foi até "demitido".
É, pois, um mundo imperfeito, incompleto, inconstante e totalmente imprevisível.
No fundo, o Discworld é mesmo assutadoramente semelhante ao nosso mundo (embora, em certo contexto, seja muito menos "chato"). E, nesse paralelo sagaz e inebriantemente ferino, a genialidade de Prattchet pode ser vislumbrada em suas melhores cores – todas elas completamente mágicas.
Para uma ótima entrevista com Pratchett (em inglês), acessem o Times Online.
Mais informações sobre Pratchett, o Discworld e seus demais trabalhos podem ser obtidas nos sites Terry Pratchett UK e Discworld Informer.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Oda al Gato

Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.
El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.
No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.
Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.
Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.
Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.
Ode ao Gato
(versão de Eliane Zagury)
Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça. Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem, adquirindo pintas, graça, vôo. O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, anda sozinho e sabe o que quer. O homem quer ser peixe e pássaro, a serpente quisera ter asas, o cachorro é um leão desorientado, o engenheiro quer ser poeta, a mosca estuda para andorinha, o poeta trata de imitar a mosca, mas o gato quer ser só gato e todo gato é gato do bigode ao rabo, do pressentimento à ratazana viva, da noite até os seus olhos de ouro. Não há unidade como ele, não tem a lua nem a flor tal contextura: é uma coisa só como o sol ou o topázio, e a elástica linha em seu contorno firme e sutil é como a linha da proa de uma nave. Os seus olhos amarelos deixaram uma só ranhura para jogar as moedas da noite. Oh pequeno imperador sem orbe, conquistador sem pátria, mínimo tigre de salão, nupcial sultão do céu das telhas eróticas, o vento do amor na intempérie reclamas quando passas e pousas quatro pés delicados no solo, cheirando, desconfiando de todo o terrestre, porque tudo é imundo para o imaculado pé do gato. Oh fera independente da casa, arrogante vestígio da noite, preguiçoso, ginástico e alheio, profundíssimo gato, polícia secreta dos quartos, insígnia de um desaparecido veludo, certamente não há enigma na tua maneira, talvez não sejas mistério, todo o mundo sabe de ti e pertences ao habitante menos misterioso talvez todos acreditem, todos se acreditem donos, proprietários, tios de gato, companheiros, colegas, discípulos ou amigos do seu gato. Eu não. Eu não subscrevo. Eu não conheço o gato. Tudo sei, a vida e o seu arquipélago, o mar e a cidade incalculável, a botânica o gineceu com os seus extravios, o pôr e o menos da matemática, os funis vulcânicos do mundo, a casca irreal do crocodilo, a bondade ignorada do bombeiro, o atavismo azul do sacerdote, mas não posso decifrar um gato. Minha razão resvalou na sua indiferença, os seus olhos têm números de ouro.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Destrinchando embutidos!
Ao comentar (ainda que de passagem) a questão dos textos apócrifos que grassam pela Internet, meu último post ofereceu-me um irresistível gancho para discutir as origens de uma crônica que vem assombrando as internautas que – como eu – já chegaram ao status de balzaquianas.
O texto em questão adquiriu tal grau de notoriedade, nas comunidades do Orkut dedicadas às mulheres acima de 30 anos, que acabou recebendo a carinhosa alcunha Linguiça do Jabor. Como denota o apelido, esta pérola costuma ser creditada a Arnaldo Jabor – uma vítima tão frequente da "sindrome do falso autor" que chegou até a dedicar-lhe crônica em sua seção no Segundo Caderno do jornal O Globo.
Aqueles que ainda não conhecem esse primor da literatura universal podem lê-lo abaixo (reproduzido, por uma questão de espaço, sem as quebras de parágrafo) e encantar-se com a candura com que enuncia as qualidades das mulheres maduras. Arrisco até dizer que nem Honoré de Balzac seria capaz de tamanho vigor poético ao descrever suas musas (atenção, principalmente, ao trecho final grifado)!
À medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30. Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar; Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na TV, não fica à sua volta resmungando, vai fazer alguma coisa que queira fazer... E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é o que quer e quem quer. Elas não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem. Você nunca precisa confessar seus pecados... elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Mulheres mais velhas são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um! Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada e sexy, existe um careca, pançudo em bermudões amarelos bancando o bobo para uma garota de 19 anos... Senhoras, eu peço desculpas! Para todos os homens que dizem: "Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? "Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!". Nada mais justo!
Os detratores de Jabor, é claro, adorariam que ele tivesse escrito essa bobagem, mas uma pesquisa mais cuidadosa na Internet revela sua verdadeira origem: ela é mera tradução (embora um tanto adulterada, até mesmo na faixa etária inspiradora) do seguinte texto atribuído ao apresentador e humorista norte-americano Andy Rooney, muito conhecido por seus comentários ácidos a respeito de assuntos polêmicos:
As I grow in age, I value women over 40 most of all. Here are just a few reasons why: A woman over 40 will never wake you in the middle of the night and ask, "What are you thinking?" She doesn't care what you think. If a woman over 40 doesn't want to watch the game, she doesn't sit around whining about it. She does something she wants to do, and it's usually more interesting. Women over 40 are dignified. They seldom have a screaming match with you at the opera or in the middle of an expensive restaurant. Of course, if you deserve it, they won't hesitate to shoot you if they think they can get away with it. Older women are generous with praise, often undeserved. They know what it's like to be unappreciated. Women get psychic as they age. You never have to confess your sins to a woman over 40. Once you get past a wrinkle or two, a woman over 40 is far sexier than her younger counterpart. Older women are forthright and honest. They'll tell you right off if you are a jerk if you are acting like one. You don't ever have to wo nder where you stand with her. Yes, we praise women over 40 for a multitude of reasons. Unfortunately, it's not reciprocal. For every stunning, smart, well-coiffed, hot woman over 40, there is a bald, paunchy relic in yellow pants making a fool of himself with some 22-year old waitress. Ladies, I apologize. For all those men who say, "Why buy the cow when you can get the milk for free?", here's an update for you. Nowadays 80% of women are against marriage. Why? Because women realize it's not worth buying an entire pig just to get a little sausage.
Estaria resolvida a questão? Ainda não, já que o próprio Andy Rooney repetidamente negou a autoria do texto, como comprovado nos sites abaixo (todos em inglês):
Quem seria, então, o verdadeiro perpetrador da "obra-prima"?
Uma resposta parcial pode ser encontrada no supracitado site Suddenly Senior, em uma crônica cunhada no ano de 2000 pelo colunista Frank Kaiser. Os fluentes em inglês podem acessá-la no link abaixo e perceberão que, curiosamente, trata-se de uma delicada apologia da maturidade feminina que nunca chega a mencionar qualquer carne embutida...
A conclusão óbvia é que a versão mais divulgada não passa de um excerto; um Frankestein virtual ao qual, em algum ponto do caminho, foi espetada a mal-afamada "linguiça" (o duplo sentido não é intencional, mas...).
Há coisas que somente a Internet, terra sem dono e paraíso do telefone sem fio, permite.
Se bem que conseguimos provar, sem qualquer sombra de dúvida, que Arnaldo Jabor é inocente (ao menos desta vez)...
que já aturaram sua cota de linguiças (nem todas do Jabor).
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Meus secretos amigos
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
Cronista do jornal Zero Hora, no livro O Gênio Idiota (1992, ed. Mercado Aberto)
Dedico este post a um amigo perdido recentemente.
Ele não o lerá, mas a intenção permanece.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Livros com GATOS que todos deveriam ler!
Primeira (e belíssima) colaboração de Moebius (ilustrações) e Alejandro Jodorowsky (roteiro), lançada pela Humanoides Associes em 1978 e publicada, no Brasil, pela Martins Fontes Editora.
Atualmente fora de catálogo, mas talvez possa ser encontrado em sebos.
domingo, 23 de novembro de 2008
Soneto 57
Being your slave, what should I do but tend
Upon the hours and times of your desire?
I have no precious time at all to spend,
Nor services to do, till you require.
Nor dare I chide the world-without-end hour
Whilst I, my sovereign, watch the clock for you,
Nor think the bitterness of absence sour
When you have bid your servant once adieu;
Nor dare I question with my jealous thought
Where you may be, or your affairs suppose,
But like a sad slave stay and think of nought
Save where you are how happy you make those.
So true a fool is love that, in your will
Though you do anything, he thinks no ill.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Frase do dia
"Às vezes podemos escolher o caminho que seguimos. Às vezes nossas escolhas são feitas por nós. E às vezes nós não temos escolha nenhuma..."



