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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

 Adeus, minha velhinha...


Ontem à noite, foi-se minha Drielzinha, aos oito anos e meio de idade. Uma vida longa, em termos de ferret – mais ou menos o equivalente a um cão que viva uns 20 anos.

Acho que posso dizer que foi, também, uma vida feliz. Neste mundo no qual tantos animais são abandonados, maltratados e vivem de forma deplorável, Driel foi uma "princesinha" profundamente amada, protegida e que recebeu sempre tudo de melhor. Pode ter sido uma jornada árdua, às vezes, mas qualquer dificuldade sempre foi superada por tudo o que ela me oferecia em troca.

Os animais, afinal, sabem retribuir de um jeito que está além da capacidade de qualquer ser humano.

Driel foi uma típica compra por impulso. Era a menorzinha de um lote que havia acabado de chegar na pet shop (na verdade, até hoje ainda não encontrei ferret menor ) e conquistou meu coração ao me receber com lambeijinhos, quando a peguei no colo. Como, na época, eu já tinha dois ferrets novinhos – meus dois primeiros, de forma que ainda estava engatinhando como "mãe" de mustelídeos –, contei até dez, resisti e fui almoçar mas... incentivada por uma caipirinha, acabei voltando à loja, de onde saí com uma caixa de papelão cheia de furos (o então marido, por sinal, havia simpatizado mais com um outro peludo – grandalhão e meio desengonçado – que também acabou indo parar lá em casa menos de um mês depois).

Chamei-a de Galadriel; o nome não poderia ter sido mais bem escolhido porque, o que tinha de pequeninia, ela tinha de voluntariosa, teimosa e corajosa, tal qual a rainha dos elfos do universo d'O Senhor dos Anéis". Driel sabia se fazer presente e dava "corridas" até mesmo no irmão grandalhão, o Ludo.

Lá pros quatro ou cinco anos de idade, ela mastigou uns pedaços de uma barata que entrou em casa pela janela e acabou muito doente. Foram mais de seis meses de "perrengue" em quarentena, tratando um sério problema intestinal causado pela contaminação por dois tipos de verme, duas bactérias e um fungo que colocaram até o veterinário "de quatro". Mas, a menina se recuperou e seguiu sua vidinha, como se nada tivesse acontecido.

Ano passado, começaram os problemas para respirar. Radiografias e ultra revelaram um princípio de câncer linfático. Comecei a dar os remédios e Drielzinha não somente enfrentou tudo bravamente como se recuperou, sempre alerta, alegre e querendo atenção.

Mas o câncer e a idade, inevitavelmente, cobrariam seu preço.

Neste fim de semana Driel, finalmente, decidiu que era hora de partir e fez o que todo ferret faz nesses momentos: deitou-se quietinha no canto dela, parou de comer e beber e ficou pacientemente esperando que São Francisco viesse guiá-la em direção à ponte do arco-iris. Ferrets são mesmo assim: tão estóicos que chegam a desesperar.

Ontem, por volta das 21:30, ela partiu, auxiliada pelas mãos carinhosas dos doutores Rodrigo e Bianca, da clínica Espaço Pet, que são sempre uma fonte de carinho, força, compreensão e solidariedade, em momentos como esse. A decisão de ajudar um animalzinho a partir é triste, dura e difícil, mas eu não podia deixar que minha peludinha sofresse mais.

Driel sobreviveu a seus irmãos Frodo, Merlin, Ludo, Sleepy e Kiko. Viu todos irem embora e permaneceu sempre do meu lado, transmitindo-me energia para suportar a saudade. Também acompanhou meu divórcio e a chegada dos gatos Lu, Lilica, Phoenix e Bastet, da cachorrinha Kira e dos ferrets Friga, Gandalf e Titânia, além do começo do segundo casamento. Foram oito anos e meio um tanto tempestuosos para mim, cheio de mudanças pessoais e profissionais; mas sua presença foi uma constante, sempre me servindo de bússola e porto seguro.

Missão cumprida, filha. Espero que você, aí onde está, saiba quantas vezes você e seus irmãos salvaram-me a vida e me deram forças para continuar.

Nunca mais os lambeijinhos no nariz.
Nunca mais as mordidinhas pedindo atenção.
Nunca mais o rabinho arrepiado pelo cafuné no cangote.
Nunca mais o "có-có-có" de alegria a saltitar pela casa.

Adeus, minha pequena. Mamãe te ama.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

 Mais sobre a gripe suína

Com o avanço nas pesquisas sobre a atual pandemia, cabe fazer um update do meu post sobre a gripe suína em ferrets.

Dois estudos recentes, realizados nos EUA e na Holanda, demonstraram que o virus A(H1N1) não somente contamina ferrets como apresenta um potencial patogênico mais severo do que a gripe sazonal comum.

Enquanto a ação da gripe comum, de modo geral, restringe-se à cavidade nasal, o A(H1N1) replica-se extensivamente por todo o trato respiratório superior – incluindo traquéia, brônquios e bronquíolos – e, também, pelo sistema digestivo, motivo pelo qual causa sintomas incomuns como náusea, vômitos e perda de peso acelerada. E, embora os dados sobre a transmissibilidade entre ferrets ainda sejam inconclusivos, ela parece ocorrer tanto pelo ar como por contato.

Mais do que nunca, é importante reforçar os cuidados no trato dos peludinhos!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

 The King is dead! Long live the King!

Ok, eu confesso. Michael Jackson também marcou minha infância e adolescência. E, embora sua música já não integrasse o setlist do meu iPod* há um bom tempo, sua abrupta partida desta para uma (espero) melhor, ontem, me causou uma tremenda sensação de perda – pelo talento perdido e pelo fato de que este nosso mundinho, privado das suas bizarrices, ficará um bocado mais cinzento.

* Outrora conhecido como discman e, antes disso, como walkman – caramba, como sou velha...

Como o blog Reino da Almofada já registrou uma singela homenagem felina ao Rei do Pop, resolvi completá-la pelo lado dos ferrets: eis, pois, uma série de vídeos com peludinhos executando o moonwalk!

 





sexta-feira, 19 de junho de 2009

 Por quê castrar os ferrets?

De acordo com determinação do IBAMA na portaria nº 163, de 08 de dezembro de 1998 (veja texto integral no pé deste post), ferrets são animais exóticos e só podem ser importados para o Brasil por empresa autorizada, castrados e com chip de identificação.

A medida tem como objetivos coibir o contrabando e a proliferação de criadouros clandestinos, impedir os maus tratos e o abandono de ferrets na natureza e, consequentemente, proteger a fauna brasileira, incluindo tanto as espécies que lhes serviriam como presas, em estado livre, quanto os mustelídeos selvagens nativos da América do Sul: o furão grande (Galictis vittata) e o furão pequeno (Galictis cuja).


Não há muito o que discutir quanto à necessidade de preservação do meio-ambiente. Casos pregressos de inserção irresponsável de animais em habitats dos quais não eram naturais, como o dos gatos domésticos na Austrália e do caramujo africano, aqui mesmo no Brasil, demonstram claramente quão sério pode ser seu impacto ambiental e como ele pode ter um alcance não somente ecológico como social e econômico.

Mas essa não é a única indicação da castração. As maiores organizações veterinárias e protetoras internacionais, como a WSPA (World Society for the Protection of Animals - Sociedade Mundial de Proteção Animal) e a AVMA (American Veterinary Medical Association - Associação Médico-Veterinária Americana) cada vez mais, apoiam-na como método para esterilização de animais de estimação – incluindo os ferrets –, por sua segurança técnica e os benefícios que traz para a saúde e o bem-estar do animal.

De fato, a castração deixa o bicho mais tranquilo, atenua a agressividade e o territorialismo, acaba com o desconforto do cio e os comportamentos de ordem sexual e previne, ou impede totalmente, uma série de problemas de saúde, como os cânceres de próstata, mama e útero e a piometra. Por isso, ela é um dos critérios essenciais ao moderno conceito de Posse Responsável e é indicada para todo animal para o qual não se pretenda uma função reprodutiva.

No caso dos ferrets, uma espécie apenas semi-domesticada que retém uma variedade de reações instintivas semelhantes aos de seus parentes selvagens, a castração é uma necessidade tanto por questões de saúde quanto como medida de segurança para o próprio animal e aqueles com quem ele conviver (sejam humanos ou outros animais).

Ferrets machos não castrados impõem desafios como animais de estimação pois apresentam o temperamento territorialista, agressivo e difícil de controlar inerente a todo mustelídeo. Ao contrário dos ferrets castrados – que são mansos, de menor porte e costumam conviver pacificamente com ferrets de ambos os sexos – eles reagem de forma extremamente violenta à presença de outros machos, resultando em disputas que podem levar à ferimentos graves ou mesmo a morte.

Além disso, os machos inteiros também marcam território com urina (como os gatos) e apresentam o odor almiscarado característico da espécie – que já representa algum problema mesmo nos ferrets castrados – ainda mais intenso, especialmente na época da reprodução. A verdade? Ferret inteiro FEDE. MUITO.

A situação das fêmeas é ainda pior pois, sendo animais de ovulação induzida, elas somente saem do cio após cruzar, em vez de passar por períodos férteis regulares. Se o cio for muito prolongado (ele pode durar meses), o hiperestrogenismo resultante pode chegar a níveis tóxicos e afetar a medula, suprimindo a produção de células vermelhas e matando a ferret por anemia aplástica. Além da cruza (que pode ser com machos inteiros ou vasectomizados/estéreis) a única forma de cortar o cio é química, através de injeções de hormônio, mas elas nem sempre têm o resultado desejado – cerca de 50% das fêmeas inteiras que não cruzam a cada cio acabam tendo um triste fim.

Os críticos da castração argumentam, com algum alarde, que ela seria uma forma de "mutilação". É uma corrente de pensamento um tanto simplista, que prioriza a mais do que evidente violência física inerente à extração dos órgãos sem avaliar seus benefícios a longo prazo. É bem verdade que qualquer castração executada em condições inadequadas e por veterinário despreparado pode mesmo resultar em sérios problemas imediatos e futuros para a saúde do animal, mas a incompetência de alguns "profissionais" nunca deve ser usada como parâmetro para questionar a eficácia de um procedimento médico, principalmente diante das inúmeras pesquisas que o abalizam.

No caso de animais de pequeno porte, como os ferrets, os principais riscos são a reação à anestesia (largamente minimizada pelos métodos anestésicos mais modernos) e a chance de que permaneça, no corpo do animal, algum resquício de tecido reprodutivo que possa, no futuro, vir a causar disfunções hormonais ou mesmo câncer.

Por fim: há, por parte da comunidade veterinária internacional, alguma especulação quanto à influência da castração – particularmente quando realizada antes antes da maturidade sexual, que ocorre por volta dos quatro meses de idade –, na incidência da lesão de adrenal e outras doenças relacionadas a disfunções hormonais. Castrar antes das 5 semanas de idade é uma prática bastante questionável adotada por muitas fazendas norte-americanas que criam ferrets para o comércio em pet shops (incluindo a Marshall, principal fornecedor para o Brasil), mas as pesquisas a respeito são tão inconclusivas e contraditórias que o assunto ainda deverá causar muita polêmica antes de trazer qualquer consequência para os ferrets "brasileiros". Em suma: nem temos como chorar sobre o leite derramado.

Fiquem tranquilos, pois: seus ferrets podem ter algumas "partes" a menos, mas não são menos felizes por causa disso!


Os vídeos a seguir (em inglês) trazem mais informações sobre
a castração de ferrets. Atenção: o segundo vídeo é "gráfico", pois acompanha
passo a passo uma cirurgia de ovariohisterectomia (extração de útero e ovários)
em uma ferret. Recomendo cautela a quem tiver um estômago mais fraco!






Finalmente, eis o texto integral da portaria nº 163:

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE,
DOS RECURSOS HÍDRICOS E DA AMAZÔNIA LEGAL
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE
E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS
PORTARIA Nº 163 ,DE 08 DE DEZEMBRO DE 1998


O PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA, no uso de suas atribuições previstas no Art. 24 do Decreto nº 78, de 05 de abril de 1991, e no Art. 83, inciso XIV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria GM/MINTER nº 445, de 16 de agosto de 1989, e tendo em vista o Art. 225, § 1º; VII da Constituição Federal; o disposto na Lei nº 5.197, de 03 de janeiro de 1967, Lei nº 6.938 , de 31 de agosto de 1981, Lei nº 7.173, de 14 de dezembro de 1983, Lei nº 9.111, de 10 de outubro de 1995, Lei nº 9.605, 12 de fevereiro de 1998; Decreto nº 24.548, de 03 de julho de 1934 que aprovou o Regulamento do Serviço de Defesa Sanitária Animal; Portaria Ministerial do Ministério da Agricultura e do Abastecimento - MAA nº 49, de 11 de março de 1987; Portaria Ministerial nº 106 de 14 de novembro de 1991 e Portaria nº 74 de 07 de março de 1994; Decreto nº 76.623, de 17 de novembro de 1975 que promulgou a Convenção Internacional sobre Comércio das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES; Decreto Legislativo nº 2 de 1994; Resolução Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA nº 237, de 19 de dezembro de 1997, Portaria Normativa 113/97 de 25 de setembro de 1997; Portaria Normativa 131/97 de 3 de novembro de 1997 e em face ao contido no processo nº 02001.002408/96-93, RESOLVE:

Art. 1º- Fica excluido do artigo 31 ítem V (mamíferos da Ordem - Carnivora) da Portaria nº 93 de 07 de julho de 1998, D O U de 08 de julho de 1998, os espécimes de furão - Mustela putorius furo, para importação com finalidade comercial para a manutenção em cativeiro como animal de estimação.

Art. 2º- As pessoas jurídicas interessadas na importação dos espécimes objeto da presente Portaria, deverão estar registradas no IBAMA, segundo as normas da Portaria nº 93/98.

Art. 3º- As pessoas jurídicas registradas no IBAMA como Importador ou exportador de animais vivos, abatidos, partes produtos e subprodutos de Fauna, que desejarem importar/comercializar os espécimes objeto da Presente Portaria, deverão protocolizar requerimento e projeto técnico de importação e comercialização contendo:
a) dados do fornecedor (procedência);
b) declaração do fornecedor de que somente animais castrados serão exportados;
c) modus operandi de comercialização;
d) estimativa de importação anual.

Art. 4º- Os animais importados deverão necessariamente:
a) serem marcados com “microchip”;
b) estarem acompanhados, na importação, de Certificado de Saúde do país exportador;

Art. 5º- Os casos omissos nesta Portaria, serão dirimidos pela Diretoria de Ecossistemas.

Art. 6º- Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.

EDUARDO DE SOUZA MARTINS

Presidente

sexta-feira, 12 de junho de 2009

 Feliz Dia dos Namorados!

A imagem é clássica e perfeitamente adequada à ocasião
mas, infelizmente, desconheço o autor.

Comemorando os que já foram,
os que poderiam ter sido e
os que ainda serão.

A esperança, afinal, é a última que morre!...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

 Você serve para um ferret?

Fonte: Stockvault

Que criaturas fascinantes são os ferrets! É praticamente impossível não se deixar conquistar pelo seu espírito inteligente, carinhoso, brincalhão e completamente hilário. Sua permanente alegria é capaz de amaciar qualquer coração empedernido e iluminar mesmo os dias mais chuvosos e nublados: ferrets e sorrisos andam sempre de mãos – ou patas! – dadas.

Mas... Esses pequenos bufões do Reino Animal também podem ser enfurecedores, preocupantes, destrutivos e muito difíceis de manter, treinar e controlar. A vida do ferret pode até ser curta, mas também é sempre aventureira – para profundo horror do dono – e pontuada por muito caos.

A verdade é: não há, dentre os animais de estimação, quem melhor personifique a máxima "ame-os ou deixe-os".

Antes de comprar um ferret, pois, é essencial conhecer não somente as inúmeras qualidades dessas irresistíveis bolinhas de pelos mas, também, o seu "lado negro". Porque a experência de conviver com um ferret 24 horas por dia sempre se revela muito diferente do que promete o ambiente perfumado da pet shop, e nem toda pessoa tem os "dotes" necessários a se tornar um verdadeiro ferret lover.

Eis uma lista de informações cruciais a serem conhecidas e avaliadas com carinho por qualquer possível futuro dono de ferret:

  1. FERRETS CUSTAM CARO. Além do preço exorbitantemente alto cobrado pelo animal (em grande parte, devido à importação), há o investimento inicial com a gaiola e acessórios – redes, caixa de areia, bebedor e comedor – e os gastos periódicos com alimentação, suprimentos, vacinação e consultas veterinárias. É preciso, também, manter um "pé de meia" para eventuais emergências médicas – que, em se tratando de ferrets, tendem a ser relativamente frequentes. Os donos de ferrets mais experientes geralmente são taxados de "esnobes" quando fazem o alerta, mas o ferret não é um bom animal de estimação para quem quer gastar pouco.

  2. FERRETS NÃO SÃO ANIMAIS DE GAIOLA e, se vivem permanentemente enjaulados, invariavelmente acabam deprimidos e desenvolvem sérios problemas comportamentais e de saúde. Quem quer ter ferrets deve, necessariamente, estar disposto a preparar um ambiente seguro onde o animalzinho possa permanecer solto a maior parte do tempo. A gaiola deve ser usada apenas como um lugar para dormir e para isolamento em ocasiões potencialmente perigosas (durante festas, quando houver crianças por perto etc) ou no caso de ser necessária uma quarentena/restrição de movimentos por motivos médicos. Gaiolas para roedores, aves ou aquários NUNCA devem ser usadas: existem modelos específicos para ferrets e outros animais do mesmo porte (a menor gaiola para ferrets tem cerca de 60 x 60 x 60cm, com rampas de pelo menos 15cm de largura e grades não muito espaçadas).

  3. FERRETS SÃO EXTREMAMENTE CURIOSOS. Para eles, qualquer coisa é um chamado para a aventura: a terra dos vasos de plantas, o espaço atrás da geladeira ou do fogão, o gaveteiro do quarto, as latas de lixo, o interior de ralos ou do vaso sanitário... E eles também adoram roubar e esconder objetos pequenos como chaveiros, controles remotos, isqueiros, meias etc. Por isso, antes de trazer um ferret para dentro de casa, é essencial tornar "à prova de ferrets" todos os ambientes em que ele circulará. Algumas das principais medidas são: proteger os forros de sofás e colchões, eliminar as cadeiras reclináveis ou de balanço, manter o tampo do vaso sanitário e os ralos permanentemente fechados, guardar produtos químicos e de limpeza (ferrets adoram lamber sabão!) em locais inacessíveis, eliminar vasos com plantas potencialmente venenosas e afastar das janelas (mesmo as teladas) qualquer móvel que possa servir como trampolim.

  4. FERRETS DORMEM MUITO. Um ferret saudável pode passar cerca de 16 horas por dia em modo off – muitas vezes, dormindo tão profundamente que parece ter morrido (é o chamado "sono da morte" – veja vídeo abaixo). Além disso, muitos apresentam um comportamento predominantemente noturno, apagando durante as horas mais quentes do dia e reservando a noite – quando o dono, invariavelmente, quer descansar – para fazer algazarra. É verdade que a grande maioria dos ferrets consegue se adaptar razoavelmente bem aos horários do dono, mas quem deseja um animal de estimação mais ativo e "disponível" pode se decepcionar.


    Não é preciso saber falar inglês para compreender:
    eis um ferret em uma perfeita demonstração do "sono da morte".

  5. FERRETS TÊM PROBLEMAS DE SAÚDE como qualquer ser vivo. Eles podem adquirir doenças que afligem cães e gatos (como a cinomose, a raiva e inúmeros tipos de fungos e parasitas) e são particularmente suscetíveis a diversas espécies de neoplasia (insulinoma, linfosarcoma e lesão de adrenal sendo as mais frequentes), bem como a alergias, cardiopatias e problemas digestivos. Infelizmente, como se trata de um animal exótico e estranho ao País, nem todo veterinário brasileiro tem a formação e os conhecimentos necessários para tratá-lo – é preciso ter experiência com a espécie, as doenças e seus sintomas, as dosagens dos medicamentos, o esquema de vacinação e diversas técnicas cirúrgicas. Quem pretende ser um dono responsável deve, antes de adquirir o animal, verificar a disponibilidade de veterinários especializados na cidade onde mora!

  6. FERRETS SÃO ANIMAIS GREGÁRIOS. Na natureza, os mustelídeos vivem em bando e os ferrets, cujo processo de domesticação começou há muito menos tempo do que os dos cães e gatos, mantêm muitos comportamentos semelhantes aos de seus parentes selvagens. Eles precisam de contato regular com os membros de seu "grupo familiar" (isto é, os humanos) e podem se tornar emocionalmente dependentes do dono. Ferrets exigem muita atenção e prosperam apenas se recebem os cuidados apropriados – um ferret que se sinta ignorado ou negligenciado certamente ficará deprimido e doente. E os ferrets doentes exigem ainda mais cuidados, pois tendem a ficar anoréxicos e correr o risco de acabar desnutridos e/ou desidratados em questão de poucos dias.

  7. FERRETS E CRIANÇAS NÃO COMBINAM. Muitas pessoas pensam em adquirir um ferret como o primeiro animal de estimação de seus filhos. Afinal, eles são pequenos, fofinhos, podem (embora não devam) viver em gaiola e são mais interativos do que hamsters ou tartarugas!... Ledo engano: o binômio criança pequena + ferret é totalmente imprevisível e receita quase certa de desastre. Uma criança pequena, ainda sem muito discernimento, pode deixar o ferret cair ou torcer seu frágil corpo, ferindo-o seriamente ou mesmo matando-o; em contrapartida, o ferret pode morder, mesmo que por brincadeira. Por isso, qualquer contato entre ferrets e crianças deve ser vigiado por adultos. Animais domésticos nunca devem ser usados como ferramenta para ensinar uma criança a ser responsável: eles devem conviver apenas com as que já o são.

  8. FERRETS E OUTROS ANIMAIS PODEM COMBINAR – MAS NEM SEMPRE. Dependendo do temperamento e raça, é possível ensinar um cão ou gato a conviver pacificamente com um ou mais ferrets (e vice-versa); mas os roedores, aves e pequenos répteis, para esses pequenos carnívoros, são comida! É bom nunca esquecer que os mustelídeos são considerados os caçadores mais eficientes do reino animal...

  9. FERRETS NÃO GOSTAM DE COLO. Salvo raras excessões – como no caso de alguns animais mais idosos –, ferrets possuem um temperamento naturalmente agitado e não apreciam ser agarrados ou ficar no colo. Alguns nem mesmo gostam de ganhar cafuné! Quem deseja um animal de estimação subserviente deve pensar em ter um cão.

  10. FERRETS COMEM RAÇÃO DE FERRET e as boas rações, importadas, custam caro ou são de difícil aquisição (existem rações de fabricação nacional, mas nenhuma delas é de qualidade confiável e o excesso de corantes pode causar reações em alguns animais mais sensíveis). Sendo "carnívoros verdadeiros", eles necessitam de uma alimentação na qual a gordura e a proteína animal sejam os ingredientes predominantes. Além disso, também precisam consumir taurina, um aminoácido essencial também aos gatos e inexistente na ração de cachorro cuja deficiência pode ocasionar cardiopatias, cegueira e outros sérios problemas de saúde. Caso não seja possível oferecer ração específica, as melhores alternativas são, pelos valores nutricionais parecidos, a ração super-premium para gatos filhotes (mas não as rações para gatos adultos ou cães) ou a dieta natural, desde que supervisionada pelo veterinário. Fora a ração, é permitido oferecer, como agrado eventual, pedaços pequenos de frutas. Outros alimentos de consumo humano, como o chocolate, leite, doces e refrigerantes, podem causar problemas – o chocolate, por exemplo, contém teobromina, uma substância da família da cafeína que, dependendo da quantidade ingerida, pode vir a matar um ferret, cão ou gato.

  11. FERRETS NÃO SÃO "INODOROS". Muito pelo contrário: eles possuem um odor almiscarado muito penetrante que, invariavelmente, impregna o ambiente em que vivem e com o qual nem toda pessoa consegue se adaptar. Suas glândulas adanais (formas vestigiais das mesmas glândulas que produzem o mau-odor característico dos gambás) são retiradas pouco após o nascimento, durante a cirurgia de castração, mas a pelagem, a urina (que cheira a amônia) e as fezes também contribuem para tornar o lar do ferret indiscutivelmente "cheiroso". Embora haja certos produtos que prometem minimizar o cheiro, as únicas soluções realmente efetivas para o "problema" são a higiene criteriosa do ambiente – é preciso trocar com frequencia as redes e cobertores e limpar diariamente a caixa de areia – e dar a menor quantidade de banhos possível para não estimular a oleosidade do pelo.

  12. FERRETS SÃO TREINÁVEIS, MAS NEM TANTO. Apesar de serem admiravelmente inteligentes, esses pequenos podem ser muito reticentes quanto a aprender truques; eles conseguem compreender seus nomes e são capazes de responder a comandos, mas seu temperamento teimoso os torna relativamente desobedientes. Os ferrets também podem ser ensinados a usar a caixa de areia, como os gatos, mas nem sempre acertam a "pontaria": seu trato digestivo curto funciona muito rapidamente e nem sempre eles têm tempo de alcançá-la. O ideal é manter uma caixa de areia em cada cômodo no qual o ferrer vá transitar e torcer para que tudo dê certo.

  13. FERRETS NÃO SÃO A BONECA BARBIE. Não é preciso comprar o casaquinho do ferret, o perfuminho, a casinha, a coleirinha... As lojas, no afã de vender, costumam empurrar ao dono neófito um monte de tralha caríssima, só pra ele descobrir, mais tarde, que seu ferret prefere mesmo um balde ou caixas de papelão. Como diz o item 1 desta lista, os ferrets são animais de manutenção cara... mas não é preciso jogar dinheiro no lixo.

  14. FERRET NÃO PODE BRINCAR COM QUALQUER COISA. Uma atenção especial deve ser dispensada ao tipo de brinquedo oferecido a um ferret: ele deve ser de plástico ou borracha duros, sem partes destacáveis ou que possam ser mastigadas e engolidas. A obstrução do aparelho digestivo é um acidente muito comum e potencialmente mortal para um ferret, por isso é bom verificar periodicamente todos os brinquedos e tecidos aos quais ele tenha acesso. Sacos plásticos barulhentos também são particularmente divertidos, mas só devem ser oferecidos sob supervisão, para eliminar o risco de sufocação.

  15. FERRETS SÓ ENTRAM NO BRASIL CASTRADOS. Isso acontece por exigência do IBAMA, como medida de proteção à fauna brasileira (principalmente do furdo ou furão brasileiro, um mustelídeo selvagem nativo) e também para evitar a agressividade e comportamentos indesejáveis como a marcação territorial. Além disso, as fêmeas de ferret não castradas que entram no cio e não cruzam podem apresentar uma condição característica da espécie que leva à morte por anemia.

  16. FERRET DOADO É "BARATO QUE SAI CARO". Pedidos de doação de ferrets pululam nos foruns e listas de discussão. Mal sabem os solicitantes que, com muita frequência, gasta-se mais para cuidar de um ferret doado do que de um comprado! Ferrets oferecidos em doação quase sempre são animais de mais idade que já apresentam problemas de saúde. Na grande maioria dos casos, também foram tratados de forma inadequada durante toda a vida e, por estarem velhinhos e doentes, se tornaram um "estorvo" para seus donos. Doações de ferrets devem ser sempre vistas com desconfiança.

  17. FERRET NÃO É BRINQUEDO. É um ser vivo que ama, sofre, sente dor, saudade, solidão. O bom dono é aquele que está disponível para uma relação de 5 anos ou mais, na saúde ou na doença, na brincadeira ou no soninho, no lambeijo ou na mordida. Pense bem antes de comprar um ferret por capricho ou impulso! Muitas vezes, deixar o animalzinho na loja pode ser a melhor opção.

Para mais e melhores informações, a referência essencial é I Love My Ferret, o maior e melhor site sobre ferrets do País, cujo forum é ponto de encontro dos mais experientes e responsáveis donos brazucas!

Não deixe de ler, também, A Lei de Murphy de acordo com os ferrets e Resolveu ter bicho? Então aguenta!..., posts "irmãos" deste.

terça-feira, 5 de maio de 2009

 Os ferrets e a gripe suína

O H1N1, em imagem divulgada pela National Geographic.

Diante da possibilidade de pandemia da chamada "gripe suína", é muito natural que nós, dedicados donos de ferrets, vivamos momentos de apreensão. Afinal, embora não fiquem resfriados, nossos pequenos são notoriamente vulneráveis à grande maioria dos vírus causadores da gripe em seres humanos, incluindo os do tipo A – do qual faz parte o subtipo H1N1, responsável pela atual crise – e B.

Sim, podemos transmitir gripe aos nossos pequenos – e eles a nós. Na verdade, a resposta imunológica dos ferrets à influenza é tão semelhante à humana que eles – infelizmente – são a cobaia de escolha em muitos estudos sobre a doença.

Se a gripe suína chegar ao Brasil, nossos ferrets estarão em perigo?

Ainda não se sabe. Há poucos estudos sobre a susceptibilidade dos ferrets à gripe suína, mas existem registros de contaminação colônias de ferrets por variantes do H1N1 suino. Como a variante que está causando o problema corrente é uma mutação recente que contém DNA típico de vírus aviários, suínos e humanos, sua ação sobre os ferrets ainda é totalmente desconhecida.

O que podemos imaginar é: se essa gripe é potencialmente mortal mesmo para humanos saudáveis, pode ser que ela seja ainda mais letal para um animal de porte pequeno como um ferret.

Por via das dúvidas, enquanto o risco de pandemia não é descartado e a comunidade científica não descobre um pouco mais sobre o H1N1 e como lidar com ele, vale redobrar os cuidados usuais para prevenção do contágio dos ferrets pela gripe:
  • Conservar os ferrets dentro de casa.
  • Manter o ambiente em que os ferrets vivem sempre arejado e limpo, com água quente e desinfetante de uso veterinário/água sanitária diluída na proporção 1:10 (que têm efeito antissépico).
  • Garantir que os ferrets estejam sempre bem alimentados e hidratados.
  • Lavar as mãos em água morna por pelo menos 30 segundos, com sabonete antissépico, antes e depois de qualquer contato próximo com ferrets (uma dica é cantar Parabéns pra você ao lavar as mãos!).
  • Usar roupas limpas ao lidar com ferrets.
  • Evitar que qualquer pessoa com suspeita de gripe entre em contato com ferrets. Se isso não for possível, usar máscara ou amarrar um lenço diante da boca e nariz.
  • Não aproximar o rosto de ferrets, mesmo estando (aparentemente) saudável.
  • Evitar que pessoas "estranhas" entrem em contato com os ferrets.
  • Jamais tossir, espirrar ou mesmo respirar na direção dos peludinhos!
Se um ferret apresentar um ou mais sintomas da lista abaixo, entrar imediatamente em contato com um veterinário de confiança e, se possível, colocar o animalzinho em quarentena, longe de outros ferrets que não estejam doentes:
  • Tosse e/ou espirros frequentes.
  • Coriza e/ou secreções nos olhos e nariz.
  • Olhos avermelhados, injetados ou apresentando leve conjuntivite.
  • Nariz entupido.
  • Lacrimejamento.
  • Febre (temperatura retal acima de 39,5º celsius). Aprenda aqui como medir (em inglês)!
  • Letargia e/ou fraqueza.
  • Dificuldade para comer, falta de apetite ou anorexia.
  • Vômitos e/ou alterações nas fezes.
  • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada.
  • Cianose (coloração "azulada" das mucosas – como as gengivas – que indica pouca oxigenação do sangue).
O tratamento da gripe comum, em ferrets, é sintomático e inclui, principalmente, manter o animal bem hidratado e alimentado. Na grande maioria dos casos, a doença segue seu curso e desaparece espontaneamente.

Em casos mais graves, entretanto, pode ser necessário recorrer a anti-histamínicos e/ou antibióticos, pois o organismo fragilizado do animal pode ficar vunerável à infecção por bactérias e desenvolver um quadro de pneumonia. É importantíssimo cuidar prontamente do problema: um ferret fortemente gripado que não receba os cuidados apropriados pode se desnutrir e desidratar muito rapidamente, vindo mesmo a falecer.

Especificamente contra a gripe suína, o antiviral Tamiflu (oseltamivir) tem-se mostrado a melhor opção para o tratamento humano. Um estudo de 2006 comprovou sua eficácia, em ferrets, contra o virus causador da gripe aviária (H5N1) – logo, é possível que ele também possa ser administrado aos pequenos, caso eles se mostrem vulneráveis ao H1N1.

Somente
um veterinário pode prescrever medicamentos – outras doenças podem causar os mesmos sintomas da gripe e apenas um especialista dispõe das "ferramentas" para fazer o diagnóstico correto!

Vamos nos manter atentos!

terça-feira, 28 de abril de 2009

 Nois tumém têm Lolcats!

Verdade seja dita: qualquer internauta dono de pet que ainda não sabe o que é um Lolcat precisa urgentemente colocar seus conhecimentos em dia.

Para os que não têm animais de estimação ou são muito distraídos, a explicação: Lolcats são aquelas fotos bonitinhas de bichos, popularizadas por sites como o I Can Has Cheezburger, nas quais foram inseridas legendas bem humoradas em lolspeak – uma corruptela da língua inglesa totalmente de mentirinha que, de acordo com as teorias, seria "falada" apenas por animais fofos.

Como andam me solicitando postar fotos dos meus peludos, resolvi unir o útil ao divertido e entrar na brincadeira. Claro que não entendo nadica de lolspeak, mas é para isso mesmo que existe um tradutor...

Sem mais delongas, eis a primeira fornada:


Kira.


Titânia.


Friga.



Titânia e Galadriel.


Lilica, bancando a Esfinge.


Lu.


Phoenix.


Bastet.


Mais Lu. E um tribble!


Na ordem: Bastet, Phoenix, Lilica e Lu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

 Produtos curiosos com ferrets!


Fursty Ferret é produzida pela cervejaria britânica Hall & Woodhouse.



Este ferret de pelúcia, fabricado pela Sweet William,
é quase tão fofo quanto os de verdade.




Que tal uma estatueta em bronze para a decoração da casa?





Este bizarro ferret animatrônico é produzido pela
Animal Makers.



Estes são totalmente kitsch, mas muito fofos! Sairam daqui.





Jasmine Becket-Griffith (aka Strangeling) é uma ilustradora norte-americana
que especializou-se em pintar fadas – e ferrets!

terça-feira, 21 de abril de 2009

 Causos de ferrets - II

 
Ludo – o ferret.

Se minha vida fosse um filme e cada um de meus bichos tivesse uma função narrativa, Ludo seria o comic relief. Grande, gordo e desengonçado como ele só, o pequeno era uma figura cômica por excelência – um verdadeiro "Jerry Lewis" em forma de ferret, sempre tropeçando e dando topadas nas paredes e nos móveis*.

* De fato, se um ser humano desse tantas cabeças por dia quanto um ferret, o número de atendimentos por traumatismo craniano, nas emergências dos hospitais, seria consideravelmente maior... Ferrets são muito cabeça dura – seja no sentido literal ou no figurado.

Ludo tornou-se personagem da minha história num dia ensolarado em que eu e meu ex-marido, satisfeitos após nos empanzinarmos de comida mineira em um restaurante próximo à pet shop, sucumbimos ao súbito impulso de adquirir mais um ferret. Naquele dia, entretanto, a sorte sorriu para a menorzinha dos quatro pequenos que então compartilhavam a diminuta gaiola da loja: Galadriel arrebatou meu coração ao receber-me com "lambeijinhos", muito embora meu ex-marido tenha-se apaixonado pelo "grandão".

Cerca de um mês depois, voltei à loja para comprar ração e o gorducho ainda estava lá, agora completamente sozinho e visivelmente obeso pela carência de exercício e cuidados durante seus quase seis meses de vida – certamente havia sido seguidamente preterido por não ser tão belo e esbelto quanto os demais de sua "remessa". Vê-lo naquela situação desesperadora pôs por terra qualquer dúvida de que também ele estava em meu destino, e pus-me a barganhar com o dono da loja por melhores condições de pagamento.

"Que nome você dará a ele?" – a vendedora perguntou, enquanto eu assinava o termo de responsabilidade exigido pelo IBAMA. Como meus bichos sempre me "informam" seus nomes, olhei bem fundo nos olhos do gorducho e imediatamente me veio à mente a personagem monstruosa, mas cheia de candura, do filme Labirinto. E foi assim que, minutos depois, Ludo seguiu para sua nova casa, escondido em uma grande caixa de papelão.
 
 Ludo, na versão do cinema. © The Jim Henson Company

Meu maior receio ao apresentar Ludo a seus "irmãos" foi a probabilidade de que acontecesse alguma dificuldade de adaptação. Afinal, Driel havia sido introduzida no ambiente há pouco tempo... Será que Frodo e Merlin aceitariam outro ferret, ainda por cima macho e quase adulto? Minha apreensão, entretanto, demonstrou-se totalmente infundada: os próprios pequenos se encarregaram das "apresentações formais" (foi uma cheiração de bumbum atroz – sempre imagino como seria se os humanos fizessem o mesmo...) e, antes do fim do dia, o novo membro da família já parecia plenamente à vontade em seu lar. E como ele estava feliz!*

* Os países de língua inglesa chamam a "risada" dos ferrets de "dook-dook" mas, na verdade, o som se parece mais com "có-có-có". É inacreditável, mas os ferrets cacarejam! E Ludo era uma "galinhazinha" muito tagarela...

No dia seguinte, como tudo corria bem, resolvemos mostrar a Ludo uma das brincadeiras preferidas da galerinha e recortamos uma "porta de rato" na caixa de papelão em que eu o havia trazido, para que eles pudessem disputar o posto de "rei da toca".

Jamais esquecerei a reação do pequeno ao ver-me aproximar com a caixa na mão: ele me lançou um olhar nitidamente apavorado, deu um piparote para trás e foi-se esconder, todo encolhido e tremendo, no canto mais distante da área de serviço. Imediatamente, compreendi: ele reconhecera a caixa em que havia sido transportado no dia anterior e achava que eu o levaria embora daquela nova casa de que tanto gostara!

Um relato como esse pode parecer duvidoso para quem não convive com ferrets. Mas, além possuir uma tremenda capacidade de observação, esses animaizinhos também são dotados de uma memória prodigiosa. E não foram poucas as vezes em que presenciei essas qualidades sendo postas em prática.

Frodo, meu primeiro ferret, tinha duas bolinhas de plush com guizo – seus brinquedos preferidos – que guardava invariavelmente no mesmo lugar: o segundo escaninho da esquerda para a direita, no bar. Sempre que o soltávamos na sala a primeira coisa que ele fazia era checar se as bolinhas continuavam lá*! Claro que esse poderia ser um mero comportamento condicionado – não fosse o fato dele ter feito exatamente a mesma coisa na primeira vez em que o soltamos depois de um período de alguns meses durante o qual a sala ficou interditada para os ferrets, por conta de uma reforma necessária no sofá.

* Vê-lo fazendo isso se tornou algo tão habitual, para mim, que as bolinhas continuaram no mesmo lugar por alguns anos após a partida do pequeno e só foram "desencantadas" outro dia, por um dos gatos!

Finalmente, eis um último causo, só para fechar este texto com "chave de ouro": nosso quarto, onde também costumávamos soltar os peludinhos, tinha uma cama do tipo americano. Uma noite, demos por falta de Merlin (sempre ele!) e fomos encontrá-lo dentro do colchão, passeando alegremente por entre as molas – ele e Frodo haviam feito um buraco de uns 15cm no forro da cama. Como colchões de molas são uma das principais causas mortis acidentais de ferrets, o quarto obviamente tornou-se território proibido até resolvermos o problema, seis meses depois.

Preciso contar o que os dois fizeram quando voltaram ao quarto?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

 What a jolly, jolly Easter...

 
Foto de autor desconhecido, retocada por essa cronista.

O Coelhinho da Páscoa, este ano, surgiu nas minhas paragens 
travestido de banshee e prenunciando (mais) más notícias. Certamente está de
conluio com Papai Noel, que me concedeu um péssimo último Natal.

Mas... sempre restam os ovos de chocolate.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

 Causos de ferrets - I

Eis Merlin, em toda a sua glória (e língua).

O Fuça de Ferret 'tá mesmo ficando muito chique: já estou até recebendo "encomendas" de posts!

O Felipe, do blog Presente a limpo, me pediu algumas histórias de ferrets. Não podia ter-me solicitado uma pauta mais tranquila: esses peludinhos são experts contumazes na "Arte" de fazer "arte".

Um dos episódios mais antológicos aconteceu por conta de Merlin, o saudosos ferret marrom – ou, para usar a nomenclatura correta, "sable" – da foto que ilustra a barra lateral do Fuça. O pequeno era mesmo um azougue e vivia inventando novas traquinagens para aprontar, a ponto de eu e meu ex-marido o apelidarmos, carinhosamente, de Dr. Faz M****.

No começo (há uns bons 8 anos atrás) eram apenas os dois da foto, Merlin e Frodo. Naquela época, meus ferrets já ficavam soltos na área de serviço, com a porta da gaiola aberta para lhes garantir alguma liberdade, mas compartilhavam o espaço com um enorme – para as proporções de um ferret, principalmente – latão plástico de lixo.

Um belo dia, percebi que Merlin havia descoberto como escalar até o topo da gaiola e estava fazendo o latão de "ponte" até o tanque d'água. Fiquei preocupada, pois a faxineira o usava na limpeza da casa e algum detergente ou produto químico mais forte poderia deixar resíduos que, lambidos, certamente fariam mal ao pequeno.

O que fiz? Arrastei a lata para a extremidade oposta da área de serviço, bem longe do tanque, e tirei o problema da cabeça pois o considerei resolvido.

Uns dois dias depois, estava eu na cozinha, preparando um suco, e vejo Merlin subir na gaiola. Como sabia do que o peludim era capaz, resolvi observá-lo de longe e verificar como estava se adaptando às novas características de seu habitat.

O pequeno olhou para o tanque e olhou pro latão, lá do outro lado. Fez uns movimentos de cabeça, calculando a possibilidade de um salto e, demonstrando muito bom senso, desistiu. E, mais uma vez, olhou para o tanque e olhou pro latão com uma expressão, no rostinho, que eu só poderia chamar de "pensativa".

Foi então que, bem diante dos meus olhos, Merlin desceu da gaiola, foi até o latão (que, nesse dia, havia sido providencialmente esvaziado e estava muito mais leve do que de costume), o empurrou de volta para o lugar em que ficava anteriormente, subiu novamente na gaiola e entrou no tanque, exatamente como costumava fazer.

Diante de tamanha demonstração de superioridade intelectual, só me restava mesmo jogar a toalha e declarar a luta perdida por nocaute: no dia seguinte, a faxineira foi proibida de usar o tanque. Afinal de contas, minha casa tem banheira.

Fazer o quê?

Hoje, com quatro ferrets, o latão foi definitivamente expulso da área de serviço e se encontra... bem... no meio da cozinha (apartamento pequeno tem dessas coisas...). Vivo muito mais tranquila sabendo que sou EU quem divide espaço com o lixo: de certo que não é uma prática higiênica, mas me economiza em tranquilizantes.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

 Da Vinci e o ferret!

Dama com Arminho
Leonardo da Vinci, 1485-1490
Óleo sobre Painel
54,8 × 40,3 cm
Museu Czartoryski


Quem escavou essa pintura do fundão da minha memória foi minha amiga Aline (sempre distante mas nunca desaparecida)!

É ponto pacífico, entre aqueles que compreendem o comportamento dos mustelídeos, que o modelo da pintura não pode, em hipótese alguma, ter sido um arminho – se assim o fosse, da Vinci teria pintado Cecília Gallerani desgrenhada, com as roupas rasgadas e cheia de arranhões (e, talvez, com um dos dedos faltando). A chance, pois, é de que tenha sido um ferret, apropriadamente "maquiado" de arminho pelo pincel do gênio.

Da Vinci não é conhecido por ter finalizado muitas pinturas. Como o pintor, supostamente, era homossexual, imagino que a fofura de seu modelo peludo, mais do que a beleza da dama, tenha-lhe dado algum estímulo!

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dama_com_arminho

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

 Fuças memoráveis!

De repente me dei conta de que o Fuça de Ferret
ainda não tinha nenhum post com uma fuça de ferret.
Problema resolvido.


O dono da fuça, pelo que consegui averiguar, se chama Grendel.
Mas a foto aparece em diversos sites – dentre eles, o blog All That is Cute, que vale uma visita.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

 A Lei de Murphy de acordo com os ferrets!

  1. Qualquer objeto leve e/ou pequeno o suficente para ser movido será escondido. Os objetos que não puderem ser movidos serão usados como esconderijo de alguma outra coisa.
  2. Sempre que um canto ou orifício for inacessível ou pequeno demais para a mão do dono, algo será escondido ali.
  3. Quanto maior a necessidade de encontrar um objeto, maior a probabilidade dele nunca mais ver a luz do dia.
  4. Qualquer objeto delicado, brilhante, com som e/ou que vibre ou seja capaz de qualquer espécie de movimento é um ótimo brinquedo. Principalmente se tiver peças pequenas removíveis ou botões.
  5. Os melhores brinquedos são todas as coisas com as quais o ferret NÃO deve, absolutamente, brincar.
  6. Quanto mais caro o brinquedo, mais interessante será sua embalagem.
  7. Se é de comer, será estocado. Se não é, certamente será comido.
  8. A melhor comida está sempre no prato de outrém.
  9. Todas as plantas precisam de "jardinagem". Mesmo as que não precisam.
  10. Quanto mais novo e caro o tapete, mais rapidamente ele será feito em pedaços.
  11. Quanto mais alta a plataforma, mais divertido saltar dela. Principalmente se houver platéia.
  12. Quanto mais macia e delicada a pele, mais gostoso mordê-la.
  13. Caquinha não é sujeira. É elemento decorativo.
  14. NADA no Universo é totalmente "à prova de ferrets".
  15. A afirmação "Ferrets, nunca mais!" é garantia certa de que, em breve, a casa ganhará um novo morador.

(Livremente traduzido e adaptado de http://www.ferretrescue.org/humor1.htm)