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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

 Desabafo

© Tord Boontje para Artecnica
 
Se a figura do "demônio" tem alguma sombra de verdade além da metafórica, tenho certeza de que ela se manifesta não em criaturinhas místicas com chifres, rabos e tridentes, mas em seres humanos de carne e osso.

Certas pessoas são verdadeiras representantes do Mal na Terra e parecem ter vindo ao mundo apenas para vampirizar, espezinhar e levar à desgraça qualquer pobre coitado que tenha o infortúnio de atravessar seu caminho. É gente vazia de identidade, que suga sem retribuir, que desconhece o significado da caridade e da tolerância, que julga outrém sem atentar para o próprio telhado de vidro e que não descansa enquanto não consegue fazer em pedacinhos microscópicos tudo o que haja de bom, digno e decente à sua volta.

Infelizmente, tive o desprazer de conviver com uma dessas pessoas, que se fazia de amiga, durante um bom tempo e, por pura inocência e boa vontade, demorei a perceber (ou a admitir) sua verdadeira face. Me livrei (não sem algumas feridas que deixaram cicatrizes), mas o Mal tem longos tentáculos e os efeitos nefastos desse arremedo de ser "vivo" afetam-me até hoje.

Essa pessoa desprezível causou-me perdas nos níveis afetivo e social, além de ter prejudicado pessoas que amo, mas o pior, creio, foi ter conseguido trazer à tona aquilo que tenho de mais torpe em mim mesma – porque alcançou sucesso em fazer-me querer mal a alguém e desejar a sua infelicidade.

Confesso que, de quando em vez, sofro de "espasmos" de crueldade durante os quais imagino como seria bom não ser gente de bem, e permitir-me retribuir com toda a força e conhecimento de causa de que sou capaz. Nesses momentos fulgidios, pergunto-me qual seria o gosto da vingança e imagino a supresa da criatura ao perceber que seu "poder" não é infinito e que sua máscara, construída de cera e plumas tal qual as asas de Ícaro, também derrete sob o calor do Sol.

Mas, não... Nunca me rebaixarei à tanto. A minha dignidade, ninguém jamais tomará.

Então percebo que a vitória, no final das contas, pertence a mim. Porque as cicatrizes atenuarão, minha vida seguirá em frente e o mal que me foi causado, mais breve do que tardiamente, tornar-se-há mera lembrança daquela "fase" ruim que, apesar das lágrimas, tornou-me um indivíduo melhor.

E a grande ironia, talvez prova de uma "justiça maior" (ou, quiçá, da fúria das eríneas), é que meu algoz, desgraçado que é, está fadado a viver na miserável companhia de si mesmo pelo resto de seus dias.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

 Eppur si muove*


Vida é movimento. Do microcosmo atômico ao eterno espiralar das galáxias, onde quer que haja uma centelha da Criação, há algo que se move e continua perpetuamente em mutação.

Peguei-me questionando, então, por que há tanta gente que se recusa a sair do lugar. Gente que teimosamente insiste em continuar sendo como sempre foi, sem nunca admitir que viver, realmente VIVER (em caixa alta e negrito!), é assumir que a mudança não somente é necessária, como inevitável.

Há muitas dessas pessoas que "não chovem nem molham" circulando por aí, escondidas na multidão.

Algumas seguem tão fechadas em seus mundinhos que parecem quase invisíveis; é gente digna de pena, cuja passagem pelo Planeta terá poucas consequências porque, ao mesmo tempo em que não fazem bem a ninguém (nem a si mesmas), também não fazem mal. O típico "Zé Ninguém" é, em sua essência, alguém que não muda nunca, por falta de vontade e esforço ou porque, na verdade, não tem mesmo nenhum conteúdo a ser usado como ponto de partida.

Mas o perigo existe. Ele mora nas pessoas que vivem tão ensimesmadas nas próprias "verdades" e "certezas" que, recusando-se a admitir sua própria falibilidade e a necessidade de mudar para melhorar, acabam invadindo o espaço de quem as cerca, negando-lhes o direito à divergência de opinião e ao livre arbítrio.

É gente que "acha" muito, mas pouco sabe. Que tece julgamentos com facilidade, a partir de informações falsas e/ou incompletas. Que se julga dona de todas as respostas, mesmo de questões sobre as quais pouco, ou nenhum, conhecimento tem. Que, na usura de manter-se como é, acaba aprisionada em um universo mitomaníaco auto-infligido ao qual, acreditam, a realidade deve se "moldar" de acordo com seu conforto e conveniência – mesmo às custas do prejuízo de outrém.

Aqueles que são assim podem, obviamente, causar muito estrago à vida alheia. Felizmente, em sua maioria, eventualmente acabam alienando até quem lhes devota carinho genuíno, e acabam na solidão. Pensando bem, também são criaturas merecedoras de compaixão porque, no fundo, têm tão pouco conteúdo quanto os "Zés Ninguém": apenas não admitem o próprio vazio interior e fazem "pose" para disfarçar quão inseguras são.  

Quem sabe viver sempre dá boas vindas à mudança e, quando ela não vem, parte em sua busca. Viver é uma aventura cheia de perigos, mas nenhuma montanha russa, afinal, é divertida quando parada no chão.

Mesmo as mudanças que nos colocam em situações difíceis podem trazer dentro de si as sementes do aprendizado – e, ao aprendermos, é inevitável mudarmos para melhor. O "truque" está em ter a sutileza de perceber onde estão as pequenas lições que a vida nos dá e abraçá-las de peito aberto, sem medo das consequências.


* "Eppur si muove" ("no entanto ela se move") - frase supostamente pronunciada por Galileu Galillei após renegar a visão heliocêntrica do mundo perante o tribunal da Inquisição, em 1663.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

 Quinze coisas que eu não sei.

Ideia surrupiada do blog Noites em Claro, da Beth – que, por sua vez, a copiou de outro blog. A internet anda a passos largos (e tudo tem potencial para se transformar em meme)...

  1. Nadar. Ou entro n'água de boia, ou afundo como uma pedra; tenho certeza absoluta, aliás, de que morri afogada em alguma encarnação passada.
  2. Escrever, depois da recente Reforma Ortográfica. Hífens, acentos e afins tornaram-se um mistério indecifrável, assim como a origem da vida, para onde vamos após a morte ou o destino do Universo.
  3. Costurar. Quis aprender quando pequena, mas minha mãe – que sempre foi uma excelente costureira – não permitiu (sabe-se lá por quê). Agora, não sei nem pregar botão. 
  4. Fazer tricô e crochê, embora uma tia velhinha minha, há muito falecida, tenha tentado me ensinar em diversas ocasiões. Os deuses da alta costura, definitivamente, me odeiam.
  5. Maltratar animais (o que já deve ser óbvio para quem acompanha este blog). Mas não teria qualquer pudor em dar uma boa sova em um ser humano, se achasse justo.
  6. Jogar xadrêz e pôquer. Tenho muita dificuldade com jogos que exijam raciocínio estratégico. Por sinal, também nunca aprendi a jogar War.
  7. Mentir, fingir ou dissimular. Minha falta de talento para isso, por sinal, aumenta em razão proporcional à gravidade da situação. Acho até que poderia ser atriz, mas daquelas bem canastronas...
  8. Gostar de novela. A única que acompanhei, meio paulatinamente, foi a versão original de Betty, a Feia, que me divertia pelo valor trash.
  9. Secar meu cabelo com secador. O resultado, para meu profundo desespero, nunca fica tão bacana quanto o do salão. Mas sou craque em maquiagem!
  10. Ser "política", principalmente quando isso me exige bajular quem não merece. O que já me causou alguns problemas mais ou menos sérios...
  11. Tomar café forte demais e sem adoçante. Os puristas ficam de cabelo em pé, mas...
  12. Andar de moto. Ainda.
  13. Gostar de viajar de avião, a não ser que me dêem uma dose tripla de scotch com Rivotril (ou uma marretada na cabeça). Mas entraria feliz na Enterprise...
  14. Ser leniente com gente preguiçosa, principalmente quando a preguiça é mental.
  15. Perdoar quem me comete uma injustiça. Já fui mais tolerante no passado mas acabei aprendendo, a duras penas, que as pessoas capazes de injustiçar jamais param na primeira tentativa. Agora, sou adepta do princípio escreveu, não leu, o pau comeu": quem não sabe me tratar com respeito, não merece reciprocidade; quem é legal comigo, em contrapartida, recebe de volta uma lealdade quase canina.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

 Fui indicada! Nossa!


Ao abrir minha caixa postal no Gmail, hoje à tarde, me deparei com uma agradável surpresa: alguma alma muito caridosa (ou um tanto maluquinha...) indicou o Fuça de Ferret para o Prêmio Top Blog!

Tomada por um acesso momentâneo de orgulho e presunção, resolvi fuçar o site do Prêmio, mas a única categoria na qual este meu humilde bloguinho poderia concorrer é a de Variedades, na qual certamente está inscrita uma infinidade de blogs muito mais esforçados, competentes e merecedores de reconhecimento.

Me parece bastante óbvio que participar de qualquer premiação de tamanho porte com um blog tão jovem, pequenino e despretensioso como este seria uma batalha inglória... Além de uma grande demonstração de atrevimento por parte da blogueira!...

O Fuça, afinal, não trata de temas polêmicos ou formadores de opinião nem almeja se tornar um blog "popular". Ele, na verdade, pouco mais é do que um caprichoso (e caprichado, se posso me gabar...) exercício intelectual – uma maneira de preencher as horas vagas com uma atividade mais ou menos produtiva, compartilhar alguns conhecimentos e colocar em ordem certas idéias nebulosas que me passam pela cabeça.

Pura "blogoterapia", pois.

Saber que minhas mal traçadas linhas têm significado para mais alguém além de mim mesma já me traz uma profunda satisfação. Algumas pessoas têm até me pedido permissão para copiar coisas que escrevi e... oh, boy, it makes me so damn proud of my writing skills!

E se, ademais, algum amigo julga esse meu "filhote" merecedor de concorrer a um prêmio, será que posso exigir presente melhor?

Certamente traz um pouco de luz à minha vida, que não anda nada fácil.

Talvez, em algum futuro próximo, eu possa fazer jus ao mérito que me imputam. Por enquanto, a modéstia me impede de tentar vôos tão altos...

Mas... tenho a ligeira impressão de que, esta noite, terei bons sonhos. Obrigada!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

 Usou, joga fora!

Tenho uma prima que mora no mesmo prédio que eu. Há uns 15 dias, sua máquina de lavar quebrou. Era uma Brastemp das antigas, já com uns dez anos de uso e um tanto enferrujada em alguns pontos, mas só não foi para o conserto porque trocar a peça quebrada custaria a metade do preço de uma máquina nova.

A máquina velhusca, mas ainda potencialmente funcional, foi para o ferro-velho, trocada por um modelo de painel eletrônico que certamente apresentará defeito em menos de dois anos.

Esse acontecimento tão trivial me colocou em um estado reflexivo. Me parece que, em um Mundo no qual a escassez de matéria-prima começa a se tornar crônica, economizar deveria ser regra; contudo, nossa cultura, cada vez mais, privilegia o descartável.

Há não muito mais do que 20 anos, a grande maioria dos produtos ainda era projetada para durar. Tive uma televisão 42" de tubo – um dos primeiros modelos no tamanho vendidos no Brasil – que custou uma pequena fortuna e funcionou por quase 15 anos. Era um elefante branco que ocupava a metade da minha sala, mas eu ainda a teria usado de bom grado, por mais algum tempo, se a Sony não tivesse parado de oferecer peças para reposição. Vi-me obrigada a substituí-la por um modelo LCD.

Disseram-me que, no Japão, as novas tecnologias são lançadas em tal velocidade que é possível "resgatar" eletrodomésticos e eletro-eletrônicos semi-novos do lixo. Não consigo deixar de sentir que deve haver alguma triste revelação cósmica misteriosamente escondida no fato disso acontecer exatamente em um país que passou pelo horror e a penúria resultantes da explosão de duas bombas atômicas.

O que mais me assusta é que estamos estendendo esse culto ao descartável também às nossas relações pessoais. Hoje em dia, jogamos gente fora com a mesma facilidade com que nos livramos das latinhas de cerveja vazias da festa oferecida ontem. Esquecemo-nos de que o alumínio das latas é reciclável, mas os sentimentos alheios, não.

A cada dia que passa, venho me sentindo mais e mais antiquada, porque não consigo aderir à "moda" de pensar em gente como coisa facilmente substituível. A vida pode, até, me impor o afastamento de pessoas que me são queridas e tornar nossos contatos muito esporádicos ou mesmo impossíveis, mas isso em nada modifica a intensidade de meu sentimento por elas.

Ser assim, por um lado, é uma dádiva, pois sou capaz de retomar amizades há muito interompidas como se o hiato de 10, 15 ou mesmo 20 anos fosse totalmente irrelevante. Mas toda dádiva também tem seu lado de maldição: perder um amigo, para mim, é uma experiência quase insuportável porque, mesmo que faça amigos novos, eles nunca ocupam o mesmo espaço de quem se foi. Meu coração sempre dá um jeito de abrir um lugarzinho a mais para quem está chegando, mas os nichos que se encontravam antes ocupados, e foram abandonados, são tomados pelo vazio.

Perdoem-me o surto de melancolia, mas ninguém sustenta por muito tempo um coração que mais parece um queijo suíço. Eu, simplesmente, me cansei de ser usada e jogada fora.

Quero acreditar que, por aí, ainda há outras almas tão ultrapassadas quanto a minha e que, um dia, nos encontraremos. Porque uma única amizade já meio amarelada, mas profunda e realmente sincera e incondicional, vale muito mais do que mil seguidores no Twitter.

terça-feira, 14 de abril de 2009

 Sinceramente, cansei de fazer análise combinatória!...

... Principalmente envolvendo os cromossomos X e Y. E tenho dito!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

 Dúvida cruel

Foto © Adam Lyon

 Será que William Shakespeare 
também padecia de bloqueio de escritor?

quarta-feira, 25 de março de 2009

 Resolveu ter bicho? Então aguenta!...

Fonte: Stockvault

Animal de estimação é como criança pequena – apenas veste casaco de pele. Trazer um bicho para dentro de casa, do mesmo modo que ter um filho, é decisão que não deve ser tomada por impulso, impensadamente ou sem planejamento. Porque, por trás da fofura, do afeto incondicional e do manancial de benefícios que podem nos oferecer, os pets também têm seus "contras" – e não são poucos.

É evidente que os pet lovers costumam "passar batido" por cima dos contratempos, mas quem nunca conviveu com animais pode acabar tendo algumas surpresas, no mínimo, inesperadas ao decidir fazer parte do maravilhoso mundo natural. Até porque certos protetores (no afã de arregimentar mais um dono) e criadores/lojas (no afã de... ah, deixa pra lá) nunca transmitem algumas informações essenciais.

Infelizmente, muitos casos de abandono e maus tratos acontecem justamente quando os donos descobrem que seus bichos não são bem o que haviam fantasiado.

Eis algumas coisas um tanto incômodas – mas plenamente suportáveis, quando há amor e boa vontade – que inevitavelmente se tornam parte do quotidiano de quem tem bicho:
  • Arranhões e outros ferimentos. É inevitável: quem é dono sempre traz no corpo as marcas de seu status. Cães, ferrets e – principalmente – gatos arranham; quase sempre, sem querer. Marcas de mordida, hematomas e outros machucados podem até não ser tão frequentes, mas também acontecem. Quem quer ter uma pele permanentemente lisinha e imaculada de Branca de Neve deve manter uma distância de segurança de, pelo menos, 5 metros de qualquer animal maior do que uma formiga (as pretinhas, porque aquelas vermelhas bundudas picam e deixam marca...)!
  • Pelos, muitos pelos. Na casa, nas roupas e até em si mesmo. As roupas pretas nunca mais são as mesmas, depois de um pet! E não adianta acreditar no mito da escovação diária: escovar é mesmo higiênico e saudável – no caso dos gatos e ferrets, ajuda a evitar bezoares –, mas a verdade é que não há como impedir o inexorável avanço dos pelos pelo ambiente.
  • Cheiro. Eis algo que nem mesmo muitos banhos e o uso de perfumes e desodorantes pode mudar: gente tem cheiro de gente e bicho tem cheiro de bicho. O odor humano característico (aquele que não é pura "nhaca", obviamente) nos passa despercebido pelo hábito, já que constantemente sentimos nosso próprio cheiro e o das pessoas que nos cercam. Mas o "cheiro de bicho", sendo diferente, parece entranhar no ambiente. O dono eventualmente acaba se acostumando, mas sempre é bom ter um desorizador de ambiente e um incensozinho à mão, para o caso de uma visita.
  • Xixi, cocô, golfada, vômito. Surpresa! Bicho fofinho também faz porcaria, como os bebês. Algumas vezes, em cima da cama. Outras, em cima do dono.
  • Ser acordado de madrugada. O metabolismo dos animais domésticos funciona em um ritmo bastante diferente do humano – o natural, para eles, é dormir, comer e excretar em ciclos mais curtos do que os nossos. Pets não seguem relógio e conceitos como "dia", "noite", "madrugada" e "descanso merecido após um dia cansativo na labuta" são de uma abstração que lhes escapa totalmente. Após 15.000 anos de domesticação os cães, mui espertamente, até perceberam que fazer uma (eventual) concessão aos horários do dono pode ser algo vantajoso, mas o gato típico não quer nem saber: se, às 3:00 da manhã, bate "aquela" vontade de ganhar cafuné... o dono que se vire.
  • Sustos! Mais uma semelhança entre bichos e crianças: ambos parecem ter uma incrível propensão a nos pregar sustos. Quem quer cuidar direito de um pet deve ter disposição, paciência, paz de espírito, energia e bolso para eventuais visitas à emergência veterinária – geralmente, de madrugada ou durante os feriados!...
  • Mudança de hábitos e decoração. Enfeites e peças delicadas de cristal no aparador? Melhor guardar. Potes de vidro na cozinha? Os de plástico não viram cacos!... Chaves, celular, revistas, prato de comida, a cervejinha de domingo etc sobre a mesa da sala, sem supervisão? Esqueça. Vasos de plantas? Bem disse o corvo: "Nunca mais!". Seja coerente com a decisão que tomou: o bicho não bateu na sua porta, pedindo para ser seu roommate – logo, quem tem a obrigação de se adaptar é você. A vantagem: você acabará aprendendo a ser mais organizado e asseado. O que é bastante recomendável, no caso de alguns indivíduos do sexo masculino.
  • Destruição de propriedade. Termo auto-explicativo. Nenhum tapete escapa a um gato. Nenhum aparelho de celular a um cão. O resto, o ferret esconde.
  • Barulho. Isso vale apenas para os cães: eles latem! Mas os culpados somos nós: os lobos até latem, dependendo das circunstâncias, mas o latido canino foi estimulado pelo contato com os humanos e é característica desejável em exemplares de algumas raças desenvolvidas para caça e guarda. Latido em excesso, evidentemente, é patologia que tem tratamento mas, mesmo com o melhor treinamento, a grande maioria dos cães continuará latindo de quando em vez. O jeito é se acostumar – afinal, há gente cujo matraquear apoquenta muito mais.
  • Mentiras. Claro que animais não mentem (uma inegável vantagem sobre os seres humanos). Mas os vendedores das lojas de produtos para animais, sim. Ser dono de bicho demanda constante exercício da "arte" de filtrar a "conversa de cerca-lourenço" das pet shops. Porque cachorro não precisa de perfume, esmalte ou de tintura para o pelo. E os protetores de unhas para gatos só funcionam com felinos catatônicos ou em coma. O Barão de Münchhausen seria um excelente vendedor de produtos para animais!
Nada disso é assustador? Então você, decididamente, traz o amor aos bichos nos genes e, para provar que é mesmo gente boa, só lhe falta – se é que ainda não o fez – adotar um animal abandonado.

Ame seu animalzinho e desfrute o amor infinito que ele terá por você. São Francisco os abençoará.

E nunca deixe de seguir os mandamentos da posse responsável!

quarta-feira, 18 de março de 2009

 Sobre a relatividade teórica da amizade

Pois é. Levei 40 anos (faltam só 3 meses – um quase nada!...) para finalmente admitir mas, enfim... a idéia de que as amizades são relações destituídas de interesse é totalmente utópica.

Sim, leitor; a equação da amizade é condicional. E, na matemática da amizade, fatores como possessividade, ciúmes e autocentrismo contam tanto quanto a afinidade, o carinho e o amor. Se está tudo bem e o amigo permanece jogando de acordo com as regras, tudo são flores, drinques e shows de rock'n roll. Mas... basta o amigo sair um pouquinho dos trilhos, fazer algo inesperado e descumprir as expectativas para o drama se instalar, nos melhores moldes de novela mexicana classe "Z".

Amizades não são, nem podem ser, destituídas de interesse. Todos nós, sem exceções, fazemos uso de nossos amigos para suprir necessidades afetivas e emocionais, sejam elas permanentes ou apenas pontuais. Parte da função do amigo é compreender esse "vampirismo do bem" e, conscientemente, se deixar sugar pelo outro ao mesmo tempo que o suga. O problema é quando a sensação de intimidade proporcionada por essa troca de energias inerente a uma amizade constituída nos faz sentir no direito não somente de compartilhar a vida do amigo mas também de invadi-la.

Pessoas adultas devem ter o direito de tomar suas próprias decisões, mesmo que isso as leve a quebrar a cara. Assim se sofre, mas também se aprende. O verdadeiro amigo está sempre por perto e até nos alerta quanto aos perigos, mas sua tarefa primordial não é ser um "guarda-costas"; é, tão simplesmente, oferecer um ombro quando necessário. Nada de críticas. Nada de julgamentos. Apenas solidariedade.

Pois há fronteiras que não devem, nem podem ser ultrapassadas. Nem mesmo em nome da amizade.

segunda-feira, 16 de março de 2009

 Acordando com o pé esquerdo!


Às vezes seria bom ser como um cachorro, que
acorda todo dia com dois pés esquerdos e não liga a mínima!


O sol nasce. O despertador toca. Você abre os olhos, se espreguiça, boceja, ganha um "beijinho" de bom-dia do seu cachorro e sorri gostoso. Você se levanta, escova os dentes, se veste. Você se entrega, de braços abertos, a mais um dia pleno de esperança e promessas de felicidade.

Infelizmente, não é isso o que acontece. Os problemas começam a aparecer antes mesmo de você botar os pés fora de casa, e continuam no escritório. O(a) namorado(a) lhe manda um email dizendo que não poderá vê-lo(a) essa semana. O serviço está atrasado e você sabe que isso dificultará o pagamento de suas contas, no fim do mês. Você sai para almoçar, procurando espairecer e, quando volta, é obrigado(a) a retornar uma ligação de cobrança do cartão de crédito, que se encontra atrasado apenas 10 dias. Você explode com a pobre atendente de telemarketing que o(a) atende (mal). Isso o(a) faz sentir-se ainda pior. Sua gastrite começa a dar sinais de vida e a cabeça lateja, em prenúncio a uma enxaqueca.

As coisas vão rolando cada vez mais ladeira abaixo, ao longo das horas.

Você, definitivamente, desceu da cama com dois pés esquerdos – e tropeçou feio. O ideal seria voltar para ela e dormir até o dia seguinte; talvez alguma solução aparecesse por geração espontânea, enquanto você estivesse passeando pelo reino do João Pestana (com alguma sorte, você não teria pesadelos).

Mas, não tem jeito. Esse é o teatro da sua vida e não é possível fazer revisões no roteiro. Você só pode mesmo respirar fundo, contar até dez e continuar assistindo, de camarote.

Pensando melhor: de camarote, não... Sai muito caro. Melhor comprar aqueles ingressos baratinhos na lateral da platéia, de onde você mal consegue ver o que está acontecendo no palco.

E o pior é que, no teatro, a gente nem pode comer pipoca!...

terça-feira, 10 de março de 2009

 Meu primeiro post apelativo! OBA!

Quem acompanha o Fuça de Ferret sabe que este não é um blog dado a grandes "atrevimentos" – como tenho um temperamento muito tímido, prefiro deixar os assuntos picantes para os mais jovens*, desenvoltos e, por que não dizer, caras de pau.

* Triste constatação: já cheguei ao ponto em que dizer isso me parece natural!

Mas, ocasionalmente, sou dominada por algum irresistível impulso "exibicionista". É o que acontece agora, pelo surrealismo e humor involuntário do fato.

Vejam o que a cachorrinha de minha sobrinha farejou, no pátio de um restaurante de beira de estrada em algum lugar da Região dos Lagos:

A foto original foi sutilmente retocada para aproximar a cachorrinha
dos objetos, facilitando o corte. Mas, fora isso, é 100% verdadeira... UIA!


Algumas conclusões podem ser tiradas, a partir desta imagem tão singela:
  1. A cachorrinha de minha sobrinha tem um excelente faro. Além de ser meio taradinha (e olhem que ela é castrada)!
  2. Os restaurantes de beira de estrada, atualmente, oferecem um menu impressionantemente variado.
  3. Alguém, em algum lugar, está muito p*** da vida porque perdeu essas coisas. Calculando por baixo há, aí, pelo menos R$ 100,00 em produtos "recreativos"!
  4. Ainda bem que foi tudo perdido antes do uso (acho)...
  5. Eita, mundinho muderno, sô!

domingo, 8 de março de 2009

 Dia internacional da mulher, que nada!

Sou mulher 365 dias por ano, obrigada. Com muito orgulho. E TODAS as mulheres deveriam se sentir assim.

De qualquer forma, para as que se sentem homenageadas, meus parabéns!

 Algumas migalhas sobre a excomunhão...

Perdoem-me o impulso revoltoso mas... Esse caso da excomunhão dos envolvidos no aborto realizado na menina de 9 anos que engravidou de gêmeos após ser violentada pelo padrasto, em Olinda (PE), está conseguindo me tirar do sério.

Vou ser bem direta: QUEM o arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho*, acha que é? A lista de absurdos proferidos por esse indivíduo é tamanha, que faz-me tremer na base. E, enquanto dão atenção a essa besta e seus colaboradores, uma criança, fisicamente agredida – em mais de um sentido! – e brutalmente arrancada de sua inocência, é afundada em um mar de merda teológica, intolerância e falta de bom-senso. Que adulto essa menina terá chance de se tornar, diante de tais exemplos? Que traumas esse triste período há de lhe causar?

* O nome está em negrito para que todos o incluam em seus vodus, antes de dormir.

O que esses "senhores" da Igreja estão fazendo não somente é inculto e ultrapassado, como totalmente cruel.

Vergonha de ser brasileira, nessas horas!... Aliás, vergonha de ser gente, independentemente da nacionalidade!

Se bem que, dessa vez, nosso Presidente fez bonito:

"Como cristão e católico, lamento profundamente que um bispo católico tenha comportamento conservador como este. Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta que o bispo."

Minha sugestão para os poderosos da Igreja Católica: em vez de perder tempo espalhando tanto fel, estudem os ensinamentos de Cristo! Com algum esforço, pode ser que seus cérebros de ervilha assimilem um pouco da tolerância de que todos os Seus atos foram imbuídos...

Pensando bem: se esse povinho retrógrado ainda não conseguiu entender o que Cristo quis dizer, mesmo depois de 2.000 anos, talvez isso não aconteça jamais. Melhor nem tentar, pois podem interpretar tudo ainda mais errado e a emenda sairá pior do que o soneto.

Vamos torcer para que as profecias de São Malaquias se concretizem e Bento XVI, esse inquisidor insano e megalomaníaco, seja mesmo o penúltimo papa. Só mesmo o fim dos tempos pode resolver esse momento de total surrealismo que estamos vivenciando!

Em tempo: peço desculpas se meu desabafo parecer ofensivo aos católicos praticantes – não é minha intenção. Minha natureza "ecumênica" imbuiu-me da capacidade de compreender e apoiar todas as crenças e práticas que possam contribuir para a felicidade e o bem do próximo. Mas é impossível não sentir uma pontada de indignação diante de tanta arbitrariedade!

Deixo vocês com o cometário de Arnaldo Jabor, em seu quadro no Jornal da Globo de 04/03/2009. Nunca fui muito fã de Jabor – sua arrogância intelectual me inspira uma certa antipatia – mas, vez ou outra, ele consegue me derrubar da cadeira com opiniões que surpreendem pela coerência e, principalmente, pela nobreza de caráter (coisa de que alguns envolvidos nesse episódio muito carecem). Minhas reverências!





"Lá do fundo da Idade Média, esse arcebispo declarou: "A lei de Deus está acima de qualquer lei humana". Mas quem fez as leis de Deus senão homens, como bispos e papas? Foi uma lei de Deus quando queimaram mulheres vivas como a santa Joana D’Arc? Esse pensamento dogmático, inquisitorial, só afasta a Igreja Católica do mundo moderno.

Nós tivemos papas progressistas e bons, como João XXIII e João Paulo II, que era conservador, mas amava os desvalidos. Logo agora, que a história está tão cruel, agora que os homens precisam de uma religião protetora, agora que precisávamos da doçura da Igreja, temos os olhos frios de Bento XVI. Daí o sucesso de exploradores dos pobres como tantos bancos de dízimos, os supermercados da fé. A Igreja é contra anticoncepcionais, é contra o homossexualismo, é desatenta para tantos casos de pedofilia que surgiram entre padres, assim como foi vacilante no caso daquele bispo que disse outro dia que não houve holocausto de judeus.

Os excomungados de Olinda não devem ter medo. Deus está vendo e está com eles. Certamente não está com esse inquisidor, o arcebispo José Cardoso Sobrinho."

quarta-feira, 4 de março de 2009

 Medo do Amor

Ando preocupada. O Amor vem tentando me laçar pelo pé e, sempre que isso acontece, acabo caindo de cara no chão.

Ainda não é um Amor "eterno enquanto dure", digno de arroubos de poesia e canções românticas, mas um amorico: um sentimento discreto, pouco mais intenso do que uma amizade mas já capaz de suscitar aquela ânsia incontrolável de ficar junto que somente os apaixonados sentem e que causa uma tremenda dor na boca do estômago.

De fato, minha gastrite tem incomodado mais, por esses dias.

É só uma promessa de Amor e já apavora!

Não quero amar. Amar dá trabalho, desconcentra, atormenta, extenua. Os apaixonados não têm um instante de paz, pois a companhia de si mesmos deixa de ser suficiente e a solidão não lhes traz mais contentamento. Eles não dormem direito, não comem direito, não se cuidam direito – coisas para as quais tenho um talento inato e não preciso de qualquer ajuda.

Estive livre do Amor durante alguns anos. Nunca me senti tão bem. Nunca fui tão bonita, nem ganhei tantos amigos, nem tive tanto prazer em existir. Agora, o Amor parece ter-se dado conta de minha felicidade e resolveu tirar o atraso, deixando-me doente do corpo, do coração e da alma. O Amor botou abaixo as muralhas, tão arduamente levantadas, que me protegiam das intempéries da vida, e não sei se terei forças para reerguê-los.

O Amor é tão absurda e enlouquecedoramente contraditório que teima em se esconder sob metáforas mesmo sabendo que qualquer máscara, cedo ou tarde, será lançada ao vento pela translucidez de sua essência. Como são fúteis os disfarces do Amor!

Não quero amar. Não quero amar. Não quero amar. Será que, cantarolando o mantra com bastante convicção, consigo afugentar o Amor para outras paragens? Temo, pois sei que amo intensamente demais e, por conseguinte, sofro intensamente demais. E eu sempre sofro, por antecipação e por consequência. Sofro mesmo neste exato momento, e ainda nem é Amor.

São coisas de mulher. Ainda por cima, mulher canceriana.

Não quero amar. Deus me ajude.




E a danada da sincronicidade continua a me sacanear: topei, hoje, com esse texto de Martha Medeiros.

domingo, 1 de março de 2009

 Um caso de exorcismo entomológico

Esta é Bastet, em raro momento zen budista.


Baseado em uma história real

Capítulo 1


Sábado à noite, calor excruciante. Depois do terceiro banho gelado do dia, toda perfumada e já trajada para dormir, decido ir à cozinha pegar um copo d'água. Da área de serviço, muito faceira, vem a gatinha mais nova, Bastet, trazendo uma coisa escura entre os dentes, logo depositada aos meus pés em sinal de reverência amorosa.


Era uma barata.

Das polpudas.

E bem viva.


Eu imaginava que, depois de minha recente desventura com essas "bolas-fora" da Criação, o Universo me daria alguma trégua. Mas, não: meus encontros com baratas precisam sempre ser embates traumáticos, dignos de um filme da série Alien. É como se minha entomofobia, seguindo a Lei de Murphy, agisse como um imã de situações cada vez mais esdrúxulas envolvendo essas criaturas*.

* E ainda há um agravante: a presença de felinos na casa, mui estapafuridamente, parece funcionar como um fator extraordinário de atração de animais invertebrados com tendências suicidas, porque percebi um considerável aumento no número de baratas, moscas varejeiras e outros artrópodes a invadirem minha residência, desde que resolvi entrar para o mundo da gatofilia.

Não havia qualquer motivo para que as coisas fugissem à regra, nessa ocasião.


O lado positivo de seguidas experiências com baratas* é que as sinapses que determinam o grau de histrionismo de nossas reações, em sua presença, são anestesiadas pela repetição. Depois do terceiro ou quarto duelo com uma dessas aberrações da Natureza, o pânico até vem (porque ele sempre vem, quando há baratas envolvidas), mas é precedido por ações mais lógicas do que simplesmente gritar e subir na primeira cadeira à mão.

* Só para tentar enxergar o lado cheio do copo.

Dessa vez, eu imediatamente agarrei a gatinha e, tirando proveito de minha cozinha americana, a atirei (literalmente) na sala, numa tentativa de evitar que a barata, até então ainda inteira, embora já meio perneta, se tornasse uma metade bem diante dos meus olhos.


A felina achou que eu estava brincando e voltou pra cozinha, toda saltitante.

A cena que se seguiu foi análoga a um daqueles momentos de replay na transmissão de jogos de futebol pela televisão, comigo capturando e defenestrando a gata na sala mais umas 5 vezes, antes de resolver trancá-la no banheiro. Enquanto isso, a barata, vendo na atenção que eu dava à gata io-io uma chance de permanecer com as pernas que ainda lhe restavam*, correu, de fininho, para debaixo da geladeira.

* Nota: baratas pernetas não mancam nem perdem velocidade de fuga.

Eis uma lição para o leitor: depois que uma barata se refugia sob um objeto de mobília pesado como uma geladeira, nada a tira de lá. Não adianta batucar, tentar fazer barulhos assustadores ou empestear o ambiente com algum spray de cheiro forte (eu tentei Lysoform, que sempre consegue me expulsar para algum outro cômodo da casa). A única forma de desentocar a bicharoca é arrastar o móvel, torcendo pra que ela não perceba o que você está fazendo e tente achar outro esconderijo na mesma direção dos seus pés.

A minha barata (a essa altura, já estávamos um tanto íntimas) conseguiu pensar em um lugar ainda mais bacana para se aboletar: o vão entre o batente da saída de serviço e a parede.

Fiquei ali parada uns bons minutos, esperando para ver se ela, pelo menos, colocaria a cabecinha de fora para me dar "Boa noite!", mas nada. Então, só me restou dar de ombros. Aproveitei que havia tido o trabalho de mover a geladeira para limpar o espaço por ela ocupado no chão da cozinha*, a empurrei de volta para o lugar e fui tomar outro banho gelado, antes de ir dormir no paraíso refrigerado do meu quarto.

* Que – nota para um futuro próximo – vem sendo convenientemente negligenciado pela minha faxineira.


Minhas orações nessa noite, claro, foram para que a monstrinha de 5 pernas desse um jeitinho de escapulir à fúria caçadora dos meus gatos, durante a madrugada, e desaparecesse para nunca mais voltar.



Capítulo 2 (e a saga continua!)

Quatro da manhã. Meu sexto sentido* começa a tilintar como louco e eu acordo, num sobressalto. Lembro-me de minha "visitante" e resolvo checar a cozinha.

*
Como o "sentido de aranha" de Peter Parker, ele sempre acusa situações de perigo: geralmente, quando um de meus bichos está "aprontando".

Encontro Bastet – que passou a noite
toda demonstrando suas qualidades de predadora nata, de tocaia em frente à geladeira – em momento de puro êxtase felino, a dar patadinhas divertidas na mocoronga, agora com ainda menos pernas e já meio estrebuchante. A burralda, em vez de deixar o apartamento pela saída de serviço, resolvera desafiar a morte uma última vez.

Não se pode negar que era um inseto de coragem. Ou muito insano.

Fui tomada de uma audacidade e uma sanha assassina incomuns para meu temperamento amante de animais e fiz uma coisa cujo mero conceito sempre me enojou profundamente: dei-lhe uma boa d'uma chinelada e acabei com seu sofrimento de vez, enviando sua alma para um lugar melhor (isso, obviamente, depende muito do ponto de vista).

O exorcismo dessa infeliz barata foi desvirginizante para mim pois, até então, eu nunca havia recorrido a esse tão usual método de eliminação de pragas domésticas. A distância entre a ponta de um chinelo e minha mão, simplesmente, sempre me pareceu muito curta para ser suficientemente segura...

Foi mais um passo na eliminação de uma fobia que vem me atormentando por toda a vida!
*

* É uma questão tão intensa que, quanto me separei, um de meus questionamentos mais imediatos foi: "E agora, quem mata as baratas?"

Pobre baratinha! Ao menos, tu viestes ao mundo para servir a um propósito nobre. Jamais sairás de minhas recordações!...


Epílogo

Bastet protestou veementemente quando limpei suas patinhas com Baby Wipes. Nenhum gato subirá na minha cama com "pés de barata", não senhora!

Uma vermifugação coletiva já está nos planos para a semana.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

 Ainda muito prosa, mas também reflexiva...


Recebi da amiga
Lilly, do blog Realizando Sonhos, o notório selinho do Prêmio Dardos. É o segundo selo oferecido ao Fuça de Ferret em menos de uma semana – nada mal para um blog quase recém-nascido e que só fala do que interessa à sua autora...

Claro que, curiosa como sou, fui à cata da origem da "premiação". Acabei encontrando uma crônica bastante informativa, no site Yahooposts, da qual faço um extrato:


"Respeito quem se sente genuinamente feliz por ter sido lembrado por alguém e contemplado com esse selo, (...) mas convenhamos: não é difícil constatar que, se todo premiado desatar a indicar outros colegas e camaradas, como num daqueles esquemas de pirâmide, em pouco tempo toda a blogosfera estampará essa comenda."

Sobre "prêmios" e discussões em blogs – por Alexandre Inagaki

Sou obrigada a concordar: o termo "prêmio", usado em relação a uma mera "figurinha" digital distribuída como meme, parece mesmo um tantinho carregado de arrogância e presunção.

Mas sinto que o verdadeiro valor dos selinhos blogueiros vai na direção oposta à das prêmiações grandiloquentes – está, simplesmente, na sutil e prazerosa sensação de orgulho oriunda de saber que o que escrevemos tem virtudes capazes de fazer alguém não somente se dispor a doar tempo para sua leitura, mas também se identificar a ponto de querer reconhecê-lo publicamente.

São esses pequenos gestos fraternais que tornam a atividade blogueira – no fundo, bastante solitária – tão estimulante. Afinal, cada uma das palavras colocadas nas páginas de um blog traz um pouquinho do blogueiro que as digitou e a aceitação do que dizemos é, por extensão, a aceitação daquilo em que acreditamos e do que somos como pessoas.


Só me resta, então, dizer: obrigada pelo carinho!


Em tempo: em vez de simplesmente repassar esse selo, farei uso de meus dotes profissionais e, em breve, presentearei meus camaradas blogueiros mais ativos com um selinho exclusivo do Fuça de Ferret! Aguardem!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

 Eu detesto gente que...

... parece ter vindo ao mundo somente para "causar".

Eis uma das grandes certezas da Internet: cedo ou tarde, toda lista de discussão, comunidade do Orkut ou blog acaba topando com pelo menos uma dessas pragas que, em vez de gastarem seu tempo disponível (aparentemente, bastante vasto) em algo divertido, criativo, produtivo ou benéfico para outrém, preferem atazanar quem o está fazendo.

Seus comentários parecem todos tediosamente saídos da mesma forma: invariavelmente, (ab)usam de linguagem
sarcástica, agressiva ou, mesmo, de baixo calão e quase nunca trazem algum conteúdo realmente relevante para o andamento da discussão em pauta. Não importa, pois o objetivo é, meramente, a polêmica pela polêmica. Tanto que, com bastante frequência, eles simplesmente dão a primeira cutucada e se retiram, covardemente, para ver o "circo pegar fogo" à distância (o que não lhes seria possível na "vida real").

"Falem mal, mas falem de mim!" certamente é seu mote, até quando se escondem por trás da armadura do anonimato.


Que criaturas mais vazias e dignas de pena! Mesmo porque, muitas vezes, não carecem de inteliência e talentos
apenas os subutilizam.

Infelizmente, para cada iniciativa realmente criativa que brota do solo fértil da Internet, nasce um sem número de ervas daninhas. A globalização e a inclusão digital, embora tragam consigo o benefício da democracia, também abrem espaço para a proliferação de comportamentos deviantes, que vão da perversidade à perversão.

No cômputo final, quem dera os
"causadores" fossem o único ônus a ser pago pela liberdade digital... Porque a solução, no caso deles, é tão somente fechar os olhos algo totalmente impraticável em outras circunstâncias.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

 Skindô, skindô, QUE LELÊ!

Ok, está cientificamente comprovado: eu e o Carnaval não somos dimensionalmente compatíveis. É absolutamente certo, aliás, que nosso encontro em um mesmo ambiente acarretará efeitos físicos totalmente imprevisíveis, tal qual o choque entre matéria e anti-matéria; com alguma sorte, será criado um buraco negro que, antes de me sugar, absorverá todo o som à minha volta – eu até morrerei feliz, se me for em silêncio absoluto.

Não, eu não quero mamar. E estou pouco ligando se o Zezé é bicha e a Maria, Sapatão. Aliás, continuarei não dando a mínima ainda que os dois resolvam chamar a Aurora que não é sincera e a Morena Bossa Nova para um bacanal digno de Calígula – desde que a folia não aconteça na praça em frente à minha casa!

A tortura durou mais de seis horas. Entre batuques, apitos e um permanente burburinho de vozes pré-humanas cada vez mais inebriadas, fui obrigada a aturar o cruel assassinato de todas as marchinhas de carnaval e sambas jamais compostos, e até de algumas músicas de Madonna (!), New Order (!!) e Amy Winehouse (!!!!!!!!!!!!!!), por uma voz de gênero completamente indefinível mas muito, muito desafinada mesmo.

Tudo, claro, com acompanhamento da minha cachorrinha que, tendo algum bom gosto musical, resolveu deixar seu desagrado evidente, em alto em bom som, latindo sem parar do começo ao fim dos folguedos.

Por um momento, pensei em colocar no meu CD player algum rock progressivo das antigas ou um heavy-metal bem barulhento e virar as caixas para a varanda, mas minha aparelhagem não é grande coisa e perderia em decibéis. Então, fui para o quarto, liguei o ar-condicionado e aumentei o volume da televisão ao máximo. A emenda foi pior do que o soneto: o som tonitruantemente monocórdio da voz do(a?) cantor(a?) passou a me atingir em estéreo, vindo da sala e através da janela do quarto.

Para minha surpresa, senti uma profunda inveja do pessoal na praça que, a essa altura, de tão bêbados, apreciariam até a Habanera interpretada por uma elefanta.

Pelo que percebi, essa agressão aos moradores das vizinhanças foi autorizada pela Prefeitura (como sinto orgulho de meu voto nulo!). Então, para dar alguma impressão de organização ao "evento", a criatura ao microfone tentou urgir os bebuns que pulavam (e pululavam) na praça a catarem seu lixo antes de irem embora. Claro que ninguém fez porcaria nenhuma – até porque a porcaria já estava toda feita. E ouso apostar que nem mesmo os garis o farão, pelo menos até quinta-feira.

Era tudo o que eu havia pedido para o feriadão: virar uma prisioneira acústica da minha própria residência.

Mas, tenho um consolo: assim que os últimos resquícios dessa barulheira infernal tiverem abandonado a praça, vou ligar meu Playstation e jogar Guitar Hero Legends of Rock durante umas três horas seguidas. Se isso não me desopilar, pelo menos, ajudará a reestabelecer o equilíbrio das energias cósmicas nos arredores.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

 Onde? Quando? Como? Quem?

Minha memória e eu nunca fomos grandes amigas. Tenho tanta dificuldade em guardar fatos e datas que costumo afirmar, galhofeiramente, "ter muita RAM mas pouquíssimo espaço em disco". Alguns amigos muito íntimos – e, por isso mesmo, bastante atrevidos – até me cunharam o singelo apelido "Peixinho Dourado", porque minha capacidade de retenção de informações, supostamente, seria de apenas 3 segundos*.

* Na verdade, a idéia de os peixes teriam apenas memória de curto prazo não passa de uma lenda urbana que já foi desmistificada por alguns estudos. A minha é ruim mesmo.

Como a passagem inexorável do tempo não melhora a qualidade do cérebro de ninguém, essa minha tendência ao esquecimento vem-se tornando uma preocupação cada vez mais presente para mim. Imagino-me daqui a uns 30 anos: uma velhinha de cabelos totalmente brancos (ou azuis – pode ser que, até lá, eu "despiroque" de vez), meio encurvadinha, banguela, completamente gagá e capaz de esquecer-se até do mingau que acabou de comer*. Compadeço-me, por antecipação, do pobre enfermeiro que for cuidar de mim...

* Não sei quanto ao leitor, mas a idéia de tomar o mesmo mingau várias vezes, por puro esquecimento, me causa profundo horror.

A verdade é que sempre sinto uma pontada de inveja "branca" quando ouço alguém relatar acontecimentos da infância ou adolescência como se não tivessem ocorrido há mais de uma semana. Porque, para mim, as recordações do passado distante são tremendamente enevoadas, difusas e quase sempre se apresentam em "nacos" de memória esparsa, como se fossem partes de um quebra-cabeças totalmente desmontado do qual metade das peças já se perdeu e a outra metade desbotou.

Meu passado não é um filme, mas vários traillers.

De certas pessoas com as quais convivi nos meus primeiros anos de vida, como meus avós maternos, guardo lembranças extremamente turvas. Algumas, estranhamente, são tão somente sensoriais: mesmo depois de tantos anos, ainda consigo evocar o sabor divino dos suspiros feitos pela minha avó – eram pequenas gotas açucaradas, muito crocantes por fora e quase cruas por dentro, que derretiam quase instantaneamente ao serem colocadas sobre a língua. Nunca mais comi um suspiro assim!

Lembro-me com carinho, também, de uma tia-avó velhinha, pessoa cheia de ternura que tentou me ensinar a fazer tricô e crochê diversas vezes (eu, claro, não aprendi nadica). De tudo que vivemos juntas, consigo visualizar apenas uma imagem sua, sentada em um sofá no apartamento que me foi deixado de herança e, agora, é meu lar: uma velhinha pequenina, já muito idosa, tricotando cachecóis, casaquinhos de bebê e toalhas de mesa numa rapidez impressionante para seus bracinhos franzinos.

O que me deixa triste, porém, não é propriamente a escassez de memórias, mas saber que uma boa parte das que me restam certamente foi contaminada pela minha feroz imaginação que, ávida para preencher os vácuos de informação, me levou a registrar impressões totalmente equivocadas sobre certos fatos e pessoas.

De uma certa tia muito presente durante minha infância, por exemplo, só guardo um memento: sempre que ela nos visitava, eu invariavelmente ganhava um belo par de beliscões carinhosos em ambas as bochechas – um "singelo" cumprimento que eu, obviamente, abominava com todas as forças do meu pequeno ser mas suportava, mui estoicamente, por ser uma boa menina*. Essa tia faleceu de câncer, quando eu era ainda bem novinha, e a marca mais vívida que tenho da ocasião é do alívio que senti quando percebi que nunca mais levaria um beliscão da "bruxa". De certo que é horrível pensar algo assim de um parente que acabou de morrer, ainda mais de causa tão drástica. E minha aflição torna-se ainda maior quando ouço, de meus familiares, que ela era pessoa boníssima e gostava imensamente de mim!

* E, também, porque ouvi um tremendo sermão da minha mãe, na única vez em que tentei falar sobre o assunto.

Mas, meus neurônios defeituosos de fábrica me pregam peças e precisei desenvolver mecanismos para lidar com isso. Levei bastante tempo, mas acabei percebendo que importante, mesmo, não é a simples habilidade mecânica de registrar informações. Afinal, as filmadoras, gravadores e máquinas fotográficas também o fazem, com muito mais proficiência.

O que torna a passagem de alguém por este mundo realmente relevante é saber viver plenamente o presente, aprender com ele e carregar a sabedoria adquirida não somente no cérebro, mas também no coração. E, quanto a isto, estou tranquila – mesmo que, no futuro, acabe tomando o mesmo mingau algumas vezes.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

 10 Coisas...

... que eu acho realmente
muito, mas muito nojentas:

Uma buchada. E há quem goste disso!...
Fonte: Receitas de Comidas

  • As larvazinhas brancas de mosca que aparecem na lata de lixo, de um dia para o outro, como por geração espontânea.
  • Restos de barba e bigode recém-cortados na pia do banheiro (rapazes, prestem atenção!).
  • Assento de vaso sanitário molhado de xixi (um clássico que sempre merece menção!).
  • Poça d'água de esgoto (preciso comentar por quê?)
  • A Buchada de bode, sua contraparte escocesa, o haggis, e qualquer outro prato que tenha miolos como ingrediente. Eu seria uma ssima zumbi!
  • Gente que não toma banho e fica cheirando a "nhaca". E, seguindo a mesma linha de raciocínio: qualquer espécie de penteado que remeta a um dreadlock, mesmo que remotamente.
  • Roupa de baixo suja – se estiver vestida. Por extensão, também, quem a estiver usando.
  • Aquela sujeirazinha de composição indiscernível que vai-se acumulando no ralo da pia da cozinha, até entupi-lo, e só sai se a gente usar os dedos.
  • Baratas, principalmente se estiverem meio comidas por um gato e com as perninhas espalhadas pelos quatro pontos cardeais. É melhor encontrar uma viva!
  • Restos de comida "dormidos" dentro de panelas ou assadeiras. O que era delicioso, horas atrás, torna-se de embrulhar o estômago. E difícil de limpar.
E para vocês, o que é nojento?