Eis Merlin, em toda a sua glória (e língua).O
Fuça de Ferret 'tá mesmo ficando muito
chique: já estou até recebendo "encomendas" de
posts!
O
Felipe, do
blog Presente a limpo, me pediu algumas histórias de ferrets. Não podia ter-me solicitado uma pauta mais tranquila: esses peludinhos são
experts contumazes na "Arte" de fazer "arte".
Um dos episódios mais antológicos aconteceu por conta de
Merlin, o saudosos ferret marrom – ou, para usar a nomenclatura correta,
"sable" – da foto que ilustra a barra lateral do
Fuça. O pequeno era mesmo um azougue e vivia inventando novas traquinagens para aprontar, a ponto de eu e meu ex-marido o apelidarmos, carinhosamente, de
Dr. Faz M****.
No começo (há uns bons 8 anos atrás) eram apenas os dois da foto, Merlin e Frodo. Naquela época, meus ferrets já ficavam soltos na área de serviço, com a porta da gaiola aberta para lhes garantir alguma liberdade, mas compartilhavam o espaço com um enorme – para as proporções de um ferret, principalmente – latão plástico de lixo.
Um belo dia, percebi que Merlin havia descoberto como escalar até o topo da gaiola e estava fazendo o latão de "ponte" até o tanque d'água. Fiquei preocupada, pois a faxineira o usava na limpeza da casa e algum detergente ou produto químico mais forte poderia deixar resíduos que, lambidos, certamente fariam mal ao pequeno.
O que fiz? Arrastei a lata para a extremidade oposta da área de serviço, bem longe do tanque, e tirei o problema da cabeça pois o considerei resolvido.
Uns dois dias depois, estava eu na cozinha, preparando um suco, e vejo Merlin subir na gaiola. Como sabia do que o
peludim era capaz, resolvi observá-lo de longe e verificar como estava se adaptando às novas características de seu
habitat.
O pequeno olhou para o tanque e olhou pro latão, lá do outro lado. Fez uns movimentos de cabeça, calculando a possibilidade de um salto e, demonstrando muito bom senso, desistiu. E, mais uma vez, olhou para o tanque e olhou pro latão com uma expressão, no rostinho, que eu só poderia chamar de "pensativa".
Foi então que,
bem diante dos meus olhos, Merlin desceu da gaiola, foi até o latão (que, nesse dia, havia sido providencialmente esvaziado e estava muito mais leve do que de costume), o
empurrou de volta para o lugar em que ficava anteriormente, subiu novamente na gaiola e entrou no tanque,
exatamente como costumava fazer.
Diante de tamanha demonstração de superioridade intelectual, só me restava mesmo jogar a toalha e declarar a luta perdida por nocaute: no dia seguinte, a faxineira foi proibida de usar o tanque. Afinal de contas, minha casa tem banheira.
Fazer o quê?Hoje, com
quatro ferrets, o latão foi definitivamente expulso da área de serviço e se encontra... bem... no meio da cozinha (apartamento pequeno tem dessas coisas...). Vivo muito mais tranquila sabendo que sou
EU quem divide espaço com o lixo: de certo que não é uma prática higiênica, mas me economiza em tranquilizantes.